Katmandu é um formigueiro frenético
Katmandu - Após pisar na capital do Nepal, Katmandu, o visitante não sai ileso. O primeiro passeio por suas ruas atordoa. Primeiro, o barulho do trânsito. Os motoristas se orientam pelo som, muito mais do que pela visão. É comum os carros transitarem pelo meio das ruas e trazerem escrito no pára-choque traseiro a frase ''buzine, por favor''. Se outro motorista está atrás, terá de fazer barulho para ser notado.
A mesma regra serve para os pedestres. Parece ser mais difícil cruzar os becos de Katmandu do que atravessar a Avenida Paulista, em São Paulo, fora do semáforo. Mas as coisas não são tão complicadas. Basta estar atento, tomar coragem e atravessar a rua. Se ninguém buzinar, continue.
Com seus 700 mil habitantes, a cidade é um formigueiro frenético. As casas são simples e quase sempre têm mais de um andar, mas não há prédios altos. Várias gerações de uma família convivem na mesma residência, e andares novos são erguidos para os recém-chegados. Os filhos permanecem na casa dos pais - e trazem as mulheres para morar junto.
As mulheres vestem-se com cores vibrantes, na maioria das vezes com conjuntos de calça e uma túnica da mesma cor, que podem ser vermelho forte, amarelo ouro... Os homens exibem aparência mais ocidentalizada.
O visitante logo perceberá que vai precisar de paciência em Katmandu. Nas regiões turísticas, os pedintes e vendedores são incansáveis. Já nos bairros mais afastados o assédio quase não existe.
Tem de tudo - O bairro turístico de Katmandu, Thamel, tem de tudo. É um verdadeiro mercado a céu aberto. Colchas coloridas e com espelhos são estendidas nas portas das minúsculas lojas ao lado de badulaques, roupas para caminhadas e escaladas, moda hippie, CDs piratas muito baratos, lembranças religiosas, adornos, livros, postais, equipamentos fotográficos.
Tudo deve ser negociado. Na maioria das vezes, o presente que custava o equivalente a R$ 20,00 sai pela metade do preço. No Thamel também há restaurantes de todos os tipos, desde indianos até pizzarias. Katmandu oferece hospedagem para todos os gostos e bolsos. Para ir e vir, pode-se usar táxis, os riquixás (transportes para dois passageiros puxados por uma bicicleta) e os tuk-tuks (também para duas pessoas, mas sobre uma espécie de moto).
As corridas são baratas e, também, devem necessariamente ser negociadas.
Nas ruas de Katmandu, onde pedestres e carros se misturam, há uma infinidade de templos budistas e hindus. Alguns dos mais belos da religião hindu estão na Durbar Square ou Praça Real. O complexo oferece uma variedade de construções antigas, inclusive palácios onde moraram reis e suas famílias. O clã atual se transferiu para um enorme quarteirão perto do Thamel, cheio de árvores apinhadas de morcegos.
Na praça também mora a Kumari, uma deusa viva e menina. Escolhida aos quatro anos, ela vive reclusa e rodeada de guardiães. Na adolescência, volta a ser uma pessoa ''normal'' e dá lugar a uma nova Kumari.
A religião torna indispensáveis as visitas aos templos budistas, conhecidos como estupas. Uma delas, a Boudanath, já é quase um cartão-postal do Nepal, com seus expressivos ''olhos de Buda'' desenhados no topo. Ao seu redor, bandeiras coloridas espalham orações, ou mantras, aos ventos.
No rio sagrado, o Bagmati, são lançadas as cinzas dos mortos após a cremação. Nas redondezas de Pashupatinah, o local da cremação, as cores retornam nas flores vendidas, nos corantes, nas moedas de troca para serem ofertadas aos pobres que perambulam pela região. (A.C.Z.)





