Houve uma época em que grupos musicais de pouca popularidade mantinham um público fiel nos meios universitários. Foi na primeira metade da década de 80, quando a MPB se viu sacudida pelos então chamados artistas independendes da dita vanguarda paulistana.
O Karnak, que se apresenta hoje em Londrina na festa ‘‘à fantasia’’ Metamorfose, lembra artistas desse período. A exemplo de grupos como Rumo, Premeditando o Breque e Língua de Trapo, também combina gêneros diversos, ritmos variados e humor nas letras.
A diferença é que não conta mais com uma platéia cativa para consumir seus discos ou lotar os teatros para assistir suas apresentações, já que os universitários de hoje pouco se distinguem da massa do público em termos de ‘‘gosto musical’’.
‘‘As rádios não tocam o Karnak’’ - diz André Abujamra, líder faz-tudo na banda. ‘‘É uma equação que não consigo entender. Estamos no topo das paradas de world music das college radios norte-americanas, mas aqui não conseguimos emplacar. Não falo com ressentimento, mas gostaria de saber a razão disso’’.
Abujamra, ex-Mulheres Negras, fundou o Karnak em 92. Com a banda, lançou dois discos - o último, intitulado Universo Umbigo, saiu no final do ano passado pelo selo Velas vendendo até agora 5 mil cópias, número atribuído pelo artista à boa execução na MTV e aos shows pelo país. ‘‘O Karnak é um trenzão. A banda passa pelas cidades e vai conquistando e carregando as pessoas’’ - nota.
Embora remeta à turma independente dos anos 80, o Karnak é formado por músicos mais tarimbados e sua concepção musical revela-se muito mais elaborada incorporando cacos de sonoridades russas, egípcias, árabes, além de ritmos regionais brasileiros.
Até pouco tempo, a formação incluía uma dançarina do ventre e um cachorrinho. Hoje o grupo está reduzido a nove músicos. Para o show em Londrina, Abujamra e sua trupe mostram músicas dos dois discos e mais duas faixas inéditas que constam do próximo álbum, previsto para chegar às lojas no final do ano.(N.S.)

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