Juventude retratada
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de abril de 1997
Nelson Sato 
Daniel MartinonUma das fotos presentes na exposição mostra os grupos de rock Os 5 Falcões e Os Londrinos, em 1967O que têm em comum um desfile de 7 de setembro, uma formatura, uma primeira comunhão, uma procissão, um concurso de miss e uma partida de futebol de várzea?
Uma pista para responder a essa questão poderá ser desvendada a partir de amanhã com a abertura da mostra fotográfica Jovens em Londrina / 1930-1970, instalada na sala de exposições José Antonio Theodoro, da Secretaria Municipal de Cultura.
A mostra, organizada pelos pesquisadores Tony Hara e Rogério Ivano, reúne 20 fotografias que têm como fio condutor o jovem e suas relações com o espaço urbano. Tentamos mostrar de maneira didática o que os jovens de Londrina faziam em outros contextos e épocas mostrando seus ritos de passagem, suas opções de trabalho e lazer, suas inquietações e acomodações - explicam.
Tony Hara e Rogério Ivano são alunos de pós-graduação do curso de História, o primeiro fazendo Mestrado na Universidade Federal do Paraná e o segundo na Unesp de Assis (SP). Dirigida para estudantes de 1º e 2º graus, a exposição fotográfica inclui registros desde o período da colonização da cidade até os anos 70.
Marcos BorgesRogério Ivano e Tony Hara: alunos de pós-graduação em História são os organizadores da mostra fotográfica
Ordem O material foi recolhido de acervos públicos e particulares. A ênfase da mostra recai sobre os jovens em seus rituais coletivos. As imagens tentam capturar as mudanças ocorridas no perfil da juventude ao longo das décadas - seja a participação cultural nos anos 50, a colonização de referências vindas do Exterior nos 60 ou a posterior influência do movimento hippie nos 70.
O material selecionado, porém, revela lacunas. Foi difícil encontrar imagens de jovens de periferia, que só aparecem em páginas policiais da imprensa - confessam os organizadores. Os acervos públicos contemplam apenas a juventude dourada e sadia da classe média alta com seus sonhos de realização e consumo. O que mais se vê são bailes, desfiles patrióticos, procissões, formaturas, concursos de beleza e desfiles de moda - diz Ivano.
É como se não houvesse qualquer contradição, como se a juventude fosse homogênea - sublinha Hara. Não é à toa que a maioria das fotografias aponta para a ordem, para um sentido único, como se os jovens estivessem marchando. Para suscitar essas e outras reflexões, a exposição permanece até o dia 25 de abril, aberta à visitação entre 8 e 18 horas. A Secretaria Municipal de Cultura fica na Praça Primeiro de Maio, 110, em frente à Concha Acústica.


