Justiça seja feita
O Cadet Winslow, filme de David Mamet e baseado em fato real, discute questões como justiça e honra
Um encontro para não esquecer, este do dramaturgo inglês Terence Rattingan (morto em 1977) e o americano David Mamet, também dramaturgo, roteirista e diretor de cinema. O resultado é o excelente O Cadete Winslow .
Baseado em peça de Rattigan, a partir de um caso real, The Winslow Boy é um drama ambientado às vésperas da Segunda Guerra Mundial. É um filme sobre uma pequena crise que se torna assunto nacional na Inglaterra, quando um homem comum desafia os poderes à sua volta.
O cadete naval Ronnie Winslow (Guy Edwards), de 13 anos, é acusado de roubar uma ordem postal no valor de cinco shillings e mandado de volta à casa, coberto de desgraça como ladrão e falsário. O pai (Nigel Hawthorne, em forma soberba) não aceita que o garoto não tenha tido o direito de defesa e embarca numa jornada de imensos sacrifícios para limpar a honra do filho. Para enfrentar o Almirantado, o Parlamento e a Corte, os Winslows vão contar com a ajuda do renomado advogado Sir Robert Morton (Jeremy Northam), um conservador frio e enigmático cujas razões para pegar o caso intrigam a família do cadete.
Engenhosamente, Mamet manipula o furor público ao redor do caso conferindo a ele status de sensação de mídia. O que o espectador constata ainda é que este é um filme de tribunal onde nunca se está dentro da corte. Com esperteza, Mamet seleciona alguns bens construídos personagens periféricos para informar o que está acontecendo. O resultado obtido em O Cadete Winslow é feito de eloquente sutileza.
O filme, apresentado em Cannes-99 em mostra paralela, não competitiva, foi outro forte argumento para quem questiona critérios de seleção em festivais. (C.E.L.J.)





