Júri fez o que pôde e acertou com 'De Passagem'
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domingo, 24 de agosto de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 
Gramado, RS - O frio não apareceu mesmo durante toda a semana, e até na previsão do tempo o 31º Festival de Gramado Cinema Brasileiro e Latino, foi atípico: a mostra transcorreu de inicio ao fim em clima tropical, uma aberração para os limites da Serra Gaúcha. A festa terminou na noite de sábado, com o anúncio dos vencedores e a entrega dos Kikitos, em cerimônia que teve o ministro da Cultura, Gilberto Gil, trazendo ao vivo boas novas em pronunciamento longo mas muito aplaudido.
Entre os longas brasileiros, o júri fez o que tinha que fazer, elegendo o paulista ''De Passagem'' como o melhor nacional. Decisão entre óbvia e corajosa, já que nenhum dos outros merecia ser chamado de melhor. O bom filme de Elias deu também a ele as estatuetas de melhor direção e roteiro (com Cláudio Yosida). E ainda um merecido Kikito para o estreante aliás, quase todos debutando no longa Fabio Nepô como melhor ator coadjuvante. O filme ficou ainda com o prêmio da crítica reunida em Gramado.
O restante dos prêmios para os longas nacionais foi dividido, mais por uma questão de ''balanceamento'' do que por méritos explícitos. Hugo Carvana saiu somente com o Premio Especial do Júri, muito mais uma consolação do que outra coisa. A caprichada mas pouco eficiente produção paranaense, ''O Preço da Paz'', até que não saiu de mãos abanando: prêmios do júri popular, montagem e direção de arte. A melhor atriz digamos, antes a mais bela do que propriamente ''melhor'' foi Maria Fernanda Cândido em ''Dom''. Melhor ator, em decisão escandalosa: Marcelo Cerrado no gaúcho ''Noites de São João'', que também levou os Kikitos para melhor atriz coadjuvante (Dirá Paes), fotografia (Rodolfo Sanchez) e trilha musical (Ayres Potthoff).
O espanhol ''Los Lunes al Sol'' foi consagrado como o melhor latino. Além de melhor pelos júris oficial e da crítica, o filme levou Kikitos para melhor diretor (Fernando Leon de Aranoa) e ator (Javier Bardem). Melhor atriz foi Mercedes Sampietro por ''Lugares Comunes''. O simpático embora ingênuo ''Corazón de Fuego'', do uruguaio Diego Ursuaga, foi o melhor segundo o júri popular e ainda levou o Premio Especial do Júri.
Entre os 14 curtas em competição, o grande vencedor foi mesmo um dos melhores, o documentário poético ''Carolina'', de Jéferson De, também melhor fotografia e premio da crítica. Outro premiado com méritos foi ''No Bar'': melhor direção e júri popular. O Paraná ficou com o Premio Aquisição do Canal Brasil, dado a Fernando Severo por ''Visionários''.
''A Margem da Imagem'', de Evaldo Mocarzel, ficou com o Kikito para melhor documentário. O júri da crítica elegeu ''O Prisioneiro da Grade de Ferro'' como o melhor da categoria.
O ministro Gilberto Gil confirmou no discurso de palco as boas novas sobre a Lei de Incentivo à Cultura que tinha antecipado na coletiva à imprensa no início da noite. Disse ele que na sexta-feira foi aprovado um relatório que prorroga a legislação por oito anos, no caso dos Estados que já a adotaram. E para os que não contam com a lei, existe a possibilidade da criação de um fundo específico para a cultura. ''Os Estados não perderão suas leis de incentivo'', concluiu ele, dizendo que o Ministério quer atingir a marca de 100 longas metragens produzidos por ano.


