Júri do festival valoriza a emoção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2001
France Presse 
Os dez membros do júri do festival de Cannes, a começar pela presidente Liv Ulmann, afirmam com unanimidade que irão se basear na emoção para atribuir a Palma de Ouro a um dos 23 filmes em competição.
O que faço com os filmes, é fazer a experiência deles. Digo isso porque todo mundo diz que sou uma intelectual, que faço coisas sombrias, declarou em francês a ilustre norueguesa de Ingmar Bergman, Liv Ulmann, na entrevista coletiva do júri.
O importante, disse ela, não é dizer se este filme é o melhor, mas escolher um filme que me fale, feito com emoção, que representa o que há de grande.
Depois dela, todos os membros do júri se exprimiram nesse sentido.
Para mim, o cinema é primeiro a emoção. O único verdadeiro argumento é: ficamos emocionados, perturbados, abalados, surpreendidos, disse o escritor e cineasta francês Philippe Labro.
A jovem atriz francesa Sandrine Kiberlain estimou que o verdadeiro privilégio do júri é poder viver mais fortemente as emoções e dizer em alto e bom som. Sua compatriota Charlotte Gainsbourg aliás advertiu: chegarei a defender minhas emoções ainda que se pense que tenho tendência a me anular.
Os jurados igualmente evocaram sua vontade de ver os filmes em competição como simples espectadores.
Quando vou ver um filme em uma sala de cinema e a luz apaga, só posso estar junto ao público. Quando sinto qualquer coisa sou eu, não sou atriz ou cineasta, disse Liv Ulmann. O problema (aqui) é conseguir se dissociar da fabricação do filme, reconheceu o ator e cineasta francês Mathieu Kassovitz.


