Júpiter Maçã morre aos 47 anos
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Pedro Antunes e João Paulo Carvalho<br> Agência Estado 
São Paulo - O rock perdeu, na tarde de segunda-feira, uma de suas figuras mais mitológicas, símbolo da psicodelia e, às vezes, do nonsense. Júpiter Maçã, nome artístico adotado por Flávio Basso, morreu aos 47 anos, em Porto Alegre, cidade onde nasceu e ganhou fama graças aos trabalhos com as bandas TNT e Os Cascavelletes, e com uma carreira solo ancorada no aclamado disco "A Sétima Efervescência" (1997). Não foi divulgada a causa da morte.
Considerado o Syd Barrett (primeiro vocalista do Pink Floyd, que se perdeu pelo excesso de psicodelia) brasileiro, Maçã passou sua carreira beirando a transgressão generalizada. Com a banda Os Cascavelletes, por exemplo, cantou a música "Eu Quis Comer Você", em um programa infantil. E concedeu entrevistas que beiravam a surrealidade.
Mas o músico não era só de aparições curiosas. Seu disco solo - a estreia já sem Cascavelletes e a posterior TNT -, chamado "A Sétima Efervescência", é uma espécie de "The Piper at the Gates of Dawn" tupiniquim. O álbum de estreia do Floyd exibia um grau de experimentalismo que Maçã buscou trazer para a música nacional. Havia, ali, um grito desesperado de inadequação, como as músicas "Um Lugar do C..." e "Miss Lexotan". O trabalho, lançado em 1997, é ainda citado pela nova geração de músicos da onda psicodélica brasileira, que estourou novamente em 2015.


