Júlio Medaglia, afastado da Filarmônica do Amazonas, acusa secretário
Manaus, 15 (AE) - Passar o Natal na Alemanha, em uma casa da Floresta Negra. O réveillon em Berlim. E, depois, ir até a Bulgária, "casar com uma violinista lindíssima que mora lá". Esses são os planos do maestro Júlio Medaglia após ser demitido de forma inesperada e polêmica do cargo de regente da Orquestra Filarmônica do Amazonas. "O Natal e o réveillon na Alemanha são certos; já o casamento vai depender da violonista: ela ainda não sabe de nada", brinca.
A demissão do maestro Júlio Medaglia, no dia 6, surpreendeu muitos, até mesmo o maestro. Sua primeira reação foi culpar o secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, com quem vinha tendo atritos desde o ano passado. "Estou saindo de forma estranha e por determinação de pessoas que deveriam cuidar da cultura, mas, em vez disso, lutam para acabar com o pouco de cultura que o Amazonas tem", disse Medaglia no dia seguinte à demissão, referindo-se a Braga.
O secretário rebate. Segundo ele, a Filarmônica do Amazonas não está mais sob a responsabilidade do Estado. Desde a criação da Associação Cultural Amazonas Filarmônica, entidade civil sem fins lucrativos, a orquestra passou a ser dirigida por um grupo de empresários que tomou para si a tarefa de mantê-la em atividade. "Não tive nada com isso, a orquestra possui vida própria", diz Braga.
O desentendimento entre Júlio Medaglia e Robério Braga é antigo. Apesar de terem atuado na formação da Filarmônica, quando a idéia foi colocada em prática por determinação do governador Amazonino Mendes, a harmonia entre ambos durou pouco. Medaglia acusava o secretário de "emperrar" o funcionamento da orquestra. Braga, por sua vez, acusava o maestro de não se enquadrar nas normas do Estado e viver criando situações embaraçosas para o governo.
Com a criação da Associação Cultural Amazonas Filarmônica, por iniciativa do próprio Júlio Medaglia, o clima entre os dois ficou mais ameno. Mas, ao ser demitido, o maestro soube que a decisão da diretoria da Associação que determinou sua saída foi tomada em reunião que teve como um dos participantes o secretário Robério Braga. "É claro que ele teve tudo a ver com a minha saída", bradou Medaglia. "Eu estava na reunião por acaso. Foi mera coincidência", justifica Braga.
Ao que parece, em meio a tanta polêmica sai ganhando a cultura do Amazonas. Distanciado de Medaglia, o secretário Robério Braga investiu na criação de duas orquestras sinfônicas: a Orquestra Jovem, que reúne adolescentes com idade média de 14 anos, e a Orquestra Mirim, com idade máxima de 11 anos. A primeira já está se apresentando e conta com 80 jovens carentes que estudaram música com alguns dos integrantes da Filarmônica.
A orquestra mirim inicia as atividades no início do próximo ano. "São cerca de 600 meninos e meninas no projeto e, só isso, já valeu o investimento de criação da filarmônica", conta Braga. O investimento para a formação da Orquestra Filarmônica, segundo ele, foi insignificante. Depois que chegaram os músicos, vindos de diferentes partes do mundo, o custo de manutenção ficou em torno de R$ 107 mil por mês. "O resultado desse investimento foi grande, maior do que qualquer governo, qualquer secretário e maior do que qualquer maestro", diz Braga.





