Agência Folha

Arquivo Folha‘‘ Quando Enrique lançou o primeiro disco, eu me senti um marido traído, que é sempre o último a saber,’’ disse o cantor.‘‘Musicalmente, meu filho é um adversário a mais’’. As palavras são do veterano cantor espanhol Julio Iglesias, 52. A mensagem é para seu filho Enrique. Na semana passada, o pai de Enrique deve ter acreditado naquela frase ainda mais: o disco ‘‘Vivir’’, de Enrique, tirou do topo da parada latina nos Estados Unidos o ‘‘Tango’’, de seu pai.
Segundo a revista musical Billboard, ‘‘Vivir’’, em 20 dias, chegou ao primeiro lugar de vendas. O terceiro lugar também é do cantor espanhol de 20 anos. Apesar de a conta bancária da família estar cada vez mais polpuda, os dois seguem trocando farpas pela mídia desde que Enrique começou a fazer sombra ao pai. ‘‘Quando encontro com meu pai, não falo sobre minha carreira’’, afirmou Enrique. Julio Iglesias tentou a reaproximação, convidando-o para que cantassem uma música juntos. Enrique disse não. ‘‘Vou fazer isso daqui a uns 10 anos, quando consolidar minha carreira’’, disse o cantor, que inicia em março sua turnê norte-americana, começando pelo Texas.
Segundo ele, seu pai não o apoiou no início de carreira. ‘‘Eu não sabia que ele estava cantando. Enrique é um garoto independente desde os sete anos. Quando lançou o primeiro disco, eu me senti um marido traído, que é sempre o último a saber’’, tentou se explicar o pai. Outro exemplo de astro latino com problemas com um pai artista é Luis Miguel, filho de um cantor espanhol, Luis Rey, e uma cantora italiana, Marcela Basteri.
Luis Miguel, que superou seu pai por larga margem, teve uma relação conflituosa com ele, principalmente depois que a mãe saiu de casa _devido às brigas do casal. Hoje, com o pai morto e a mãe sem vê-lo há 16 anos, Luis Miguel vive sozinho em Acapulco, na costa mexicana. Essa sua condição motivou o título de sua última biografia não autorizada: ‘‘O Grande Solitário’’. No livro, o pai aparece como um empresário artístico opressor, que ocultou de seu filho até seu lugar de nascimento. Luis Miguel, nascido em Porto Rico, acreditou que era mexicano até pouco tempo. ‘‘Indiretamente, meu sucesso causou muitas crises na família’’, disse o cantor. O fenômeno não pára por aí: a atriz e cantora mexicana Verônica Castro, conhecida no Brasil pela novela ‘‘Os Ricos Também Choram’’, também compete com seu filho Cristian Castro, que já tem quatro discos lançados com um total de 5 milhões de cópias vendidas.
Na Argentina, a sucessão hereditária também acontece. Emanuel Ortega começou sua carreira de cantor, enquanto seu pai, Ramón ‘Palito’ Ortega, entrava na política. Hoje, Emanuel chegou à condição de astro local. Já seu pai, líder do iê-iê-iê argentino, desistiu do palco e lançou sua campanha para a eleição presidencial do país, em 1999.

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