Julio Iglesias canta domingo no Ibirapuera, de graça
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Jotabê Mdeiros 
São Paulo, 04 (AE) - O cantor que mais vendeu discos na história da música, o madrilenho Julio Jose Iglesias De La Cueva, de 56 anos, vai cantar no domingo de graça no Ibirapuera, em São Paulo, para um público estimado em aproximadamente 100 mil pessoas. Caso seu público atinja realmente essa marca de 100 mil espectadores, ele se junta a um time seleto de artistas que levou mais gente ao parque do que Santos e Vasco ao Morumbi: Ray Charles, Caetano Veloso, Marisa Monte, Oscar Peterson e outros.
Não que Julio Iglesias, prodigioso estandarte vivo da latinidade for export, seja figurinha difícil no Brasil. Está sempre por aqui. No momento, está espalhando-se pelas rádios e pelos programas de auditório da televisão a canção "Dois Amigos", seu dueto com a dupla sertaneja brasileira Zezé Di Camargo e Luciano.
Com 220 milhões de discos vendidos em cerca de 20 anos de carreira, Julio Iglesias mostra que acertou quando trocou a carreira de goleiro do Real Madrid, na década de 60, pela de cantor romântico. Lá se vão 31 anos e Iglesias não só foi onipresente no cenário do romantismo, como ainda nos arranjou dois herdeiros: Enrique Iglesias e Julio Iglesias Jr. (que acaba de assinar contrato milionário com a Sony para produzir três discos em inglês).
"Daqui a 20 anos, o que vai trazer-me mais alegria será o sucesso de meus filhos", diz Iglesias, como que anunciando uma aposentadoria - mas não tão rápida. Em abril, ele se torna pai pela quinta vez, o segundo filho com a holandesa Miranda - o primeiro, Miguel Alejandro, nasceu em setembro de 97. Se todos resolverem cantar, haja Grammy latino para distribuir.
Nascido em Madri em 23 de setembro de 1943, Julio Iglesias construiu uma carreira milimetricamente preparada, da imagem (sempre quer ser fotografado ou filmado do lado esquerdo, que considera seu lado bom) à mística de garanhão latino, que faz questão de disseminar. É ídolo de toda a geração subsequente de música latina, reverenciado por Ricky Martin e Luis Miguel.
Apesar disso, tudo começou acidentalmente. Em setembro de 1963, quando comemorava 20 anos, ele dirigia com amigos de Majadahonda a Madri e sofreu um acidente feio. Corria o risco de ficar paralítico. No hospital, começou a escrever poemas e a tocar violão, para passar o tempo. Como a carreira de goleiro parecia encerrada, começou a levar a sério sua nova compulsão.
Não se considerava um cantor, mas um diletante. No fim dos anos 60, vivia em Londres e cantava covers de Tom Jones e Beatles. Ele compunha e procurava alguém para gravar sua música. Não encontrou e acabou gravando ele mesmo. Em fevereiro de 1969, assinava contrato com a Columbia Records e emplacava seu primeiro hit, "La Vida Sigue Igual", como qual ganhou o Festival de Benidorm e que também virou um filme.
Começou uma corrida pela internacionalização de sua música, o que o levou a gravar em oito idiomas: espanhol, inglês, português (gravou pela primeira vez em 1979), japonês, italiano, francês, tagalog e alemão. Em 1983, entrou para o Guinness Book por ter vendido mais de 100 milhões de discos em seis línguas diferentes.
Nunca teve, e certamente nunca terá, o apoio da crítica, que o despreza - com exceção feita ao disco "Tangos", que gravou no ano passado e que não foi unanimidade negativa. "A crítica é muito importante", diz Iglesias. "Quando é inteligente, você aprende com ela; quando é burra, você se diverte".


