São Paulo, 20 (AE) - Foi uma década prodigiosa para Julia Roberts. Ela irrompeu nas telas em 1990, como a encarnação moderna de Cinderela em "Uma Linda Mulher". O público adorou. Julia chega ao ano 2000 como a atriz mais poderosa de Hollywood. É a 20.ª colocada (e a primeira atriz) na lista das personalidades que mandam no show biz americano, de acordo com a reportagem que a revista Premiere" publica na sua edição do dia 28. A poderosa não tem medo de ousar.
Os espectadores que se acostumaram a ver Julia em comédias românticas (e tolas) como Um Lugar Chamado Notting Hill e Noiva em Fuga" vão estranhar. Seu novo filme, "Erin Brockovich", que estréia amanhã (21), é um drama - não um drama sombrio. Tem direito a happy end e tudo, mas com certeza não foi feito só para divertir.
É um filme de Steven Soderbergh, o diretor que, com sexo
mentiras e videotape, abocanhou a Palma de Ouro em Cannes (foi em 1989, um ano antes de Julia ser catapultada para o estrelato). No ano passado, numa entrevista por telefone ao Estado, Soderbergh falou maravilhas sobre Julia. Estava encantado com o entusiasmo com que ela aderiu ao projeto de "Erin Brockovich", esforçando-se para dar credibilidade a uma história real que, garantia o diretor, o emocionava profundamente. Erin Brockovich ganhou no Brasil um subtítulo - Uma Mulher de Talento.
Poderia ser uma mulher de coragem ou de valor. As primeiras cenas traçam um rápido retrato da personagem. Divorciada, mãe de três filhos, desempregada. Após receber mais um não a um pedido de emprego, Erin respira fundo, fuma um cigarro e pega o carro. Quebra uma unha. O espectador pergunta-se - o que mais vai acontecer com essa mulher?
Acontece. Surge um carro a toda velocidade e rebenta com o de Erin. Ela vai ao tribunal, pedindo indenização. O advogado (Albert Finney) diz que tem chance. Não é verdade. Erin termina derrotada pelo júri, julgada por seu estilo de vida.
Começa uma nova etapa na vida da linda mulher. Ela força a barra e consegue, na marra, um emprego no escritório de Finney. Vai investigar um caso banal de compra de imóvel e descobre que pessoas estão morrendo por causa da poluição causada por uma companhia de água e eletricidade que despeja cromo na bacia freática do Vale de San Fernando. Erin usa seu talento para agrupar as pessoas, persuadi-las a lutar por seus direitos. No processo, adquire respeito próprio, não sem antes arranjar um namorado que a ajuda com os filhos. Não é uma relação fácil. Atravessa zonas de turbulência.
Soderbergh é um diretor que também não tem medo de experimentar. Seu filme sexo, mentiras e videotape foi premiado em Cannes por apontar para o cinema do futuro. O Kafka do diretor é ousado: pode não ser nota 10, mas é intrigante. Erin Brockovich é mais tradicional, mas tão sincero que envolve. É um bom, um belo filme. Trata de temas como comprometimento, ética, relações humanas. E a linda mulher realmente esforça-se para ser convincente. Seu figurino exíguo, com roupas espalhafatosas e vulgares, deixa à mostra tudo o que o público quer ver. Serviço - Erin Brockovich Uma Mulher de Talento. Dir. Steven Soderbergh. EUA/99. Com Julia Roberts, Albert Finney, 14 anos. Distribuição: Columbia Pictures.

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