O juiz aposentado Paulo Roberto Correia de Oliveira é um apaixonado pelo teatro. Não no sentido de querer subir ao palco, mas pelo contrário - é daqueles que gosta de estar na platéia, acompanhar tudo que está se fazendo no setor, seja assistindo às montagens ou se informando através da imprensa. Dono de vasto conhecimento acumulado durante anos, acaba de publicar ‘‘Aspectos do Teatro Brasileiro’’, pela Editora Juruá.
O livro de 206 páginas sintetiza o caminho trilhado pela arte a partir de 1880 e termina com citações de duas peças de sucesso do autor João Falcão: ‘‘A Dona da História’’, com Marieta Severo e Andréa Beltrão, e ‘‘Uma Noite na Lua’’, monólogo com Marco Nanini.
Ao lado dos movimentos mais notórios inclui registros como do Grupo Pessoal do Victor que encenou, entre outros trabalhos, o excelente ‘‘Na Carrera do Divino’’, de Carlos Alberto Soffredini, com direção de Paulo Betti; da companhia Ornitorrinco, de Cacá Rosset e Luiz Roberto Galizia; Denise Stoklos, Antônio Nóbrega e o Pod Minoga.
O gosto que Paulo Roberto de Oliveira tem pelo teatro passa antes pela paixão maior da literatura. ‘‘Nunca abandonei os estudos da literatura’’, afirma o juiz. No panorama teatral que desenha em seu livro, atenta para dois aspectos principais: a dramaturgia e as companhias criadas ao longo de mais de um século de história.
A década dos 80 do século passado vê surgir um teatro marcadamente alegre, inconsequente, divertido. Influência direta daquilo que se fazia em Paris, inclusive com as casas de espetáculos ostentando nomes como ‘‘Vaudeville’’, ‘‘Variét钒, ‘‘Bouffes-Parisiens’’. Machado de Assis criticou a onda reinante, afirmando que ‘‘o gosto do público tocou o último grau de decadência e perversão’’.
De lá para cá muita água rolou, e diversos caminhos foram tomados, motivados pelo mercado, modismo ou pela força política, como aconteceu nos anos de ditadura, seja do Estado Novo ou dos militares. O livro tem sequência cronológica e nele o ator comenta as peças mais importantes de cada período, além de situar historicamente as grandes companhias, como o TBC, Arena e Opinião. À sua maneira cada qual foi um foco de resistência, para levar a arte adiante.Kraw PenasO juiz aposentado Paulo Roberto Correia de Oliveira está lançando o livro ‘‘Aspectos do Teatro Brasileiro’’Zeca Corrêa Leite

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