São Paulo, 13 (AE) - Franco Zeffirelli e Francesco Rosi foram assistentes de Luchino Visconti em "La Terra Trema". Mas enquanto Rosi, passando à direção, seguiu uma via original e fez filmes documentados, não documentários, que redefiniram a política e a ideologia no cinema, Zeffirelli, nos seus melhores momentos (A Megera Domada e Romeu e Julieta), virou shakespeariano profissional. Casualidade ou não, foram seus primeiros filmes. Depois, ele foi adocicando cada vez mais, a ponto de ficar enjoativo.
Para quem já havia desistido do diretor, "Um Chá com Mussolini", que estréia amanhã (14), não deixa de ser uma surpresa - agradável. Não que seja muito bom, ou mesmo bom, mas é perfeitamente assistível. Outra coisa não se poderia esperar de um filme que ostenta em seu elenco Judi Dench, Maggie Smith e Joan Plowright, mais Cher e Lily Tomlin. Tornam prazeroso o que, com outras atrizes, talvez fosse uma bobagem.
Desde o começo dos anos 50 Zeffirelli sonhava com esse filme. Inicialmente, pensou em chamá-lo de "Le Nemiche" (As Inimigas). Pois é justamente de um grupo de senhoras italianas na Itália, mais exatamente em Florença, nos anos 30 e 40, que trata o filme. Elas tomam um garoto órfão de mãe sob sua proteção. Iniciam-no nas artes. O garoto é a cara de Zeffirelli quando jovem. O filme tem muito de autobiográfico. As senhoras inglesas viram inimigas quando o Duce declara guerra contra a Inglaterra. E não adianta nada o chá que a personagem de Maggie tomou com ele, quando o ditador lhe garantiu a eterna amizade entre Inglaterra e Itália.
Florença, como Veneza, é um dos lugares mais belos do mundo. Um museu a céu aberto. Zeffirelli cria imagens de cartão-postal de Florença, de San Geminiano, ali pertinho. Assim
amparado no refinamento das imagens e na graça das atrizes, o filme tece seu frágil encanto sobre o espectador, contando uma história de desobediência civilizada. É um filme à moda antiga. Uma trama sobre um garoto que amadurece para a arte (e para a vida) e a de duas mulheres enganadas por homens - Maggie, por Mussolini, e Cher, pelo amante cafajeste que adere ao fascismo e a despoja de sua fortuna.
Com rigor, pode-se dizer que se trata de uma nulidade. Um filme ruim. Mas é o melhor filme ruim do ano. Cher, a americana extravagante e vulgar, reúne as qualidades necessárias à personagem. Lily Tomlin veste calças para criar o personagem mais macho da história. Mas são as damas que encantam. Joan, Judi, Maggie são maravilhosas, mas a última consegue ser melhor que as outras. Maggie transforma sua personagem de inglesa excêntrica e espirituosa numa fonte de encantamento para a platéia.

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