JUAREZ MACHADO VOLTA ÀS ESCULTURAS
Francelino França
De Londrina
O artista plástico Juarez Machado, numa passagem relâmpago por Londrina durante essa semana, acertou detalhes sobre sua próxima exposição na cidade, que acontecerá no segundo semestre. Londrina abrigará uma série de 25 esculturas, todas de pequeno porte, retratando a figura feminina. A iniciativa partiu de sua marchand na cidade, Ana Maria Barreto, que espera contar com a presença do artista na exposição.
Antes de Londrina, está agendada para o mês de maio, na Galeria Akka, em Paris, essa mesma exposição. É como se fosse um retorno à minha primeira namorada. Fiz várias esculturas enquanto estudante. Depois de formado, abandonei. Agora encontrei em Paris uma fundição espetacular, pertencente a Paul Landosky, tradicional fundidor de canhões e sinos na França, diz. Para Juarez, esse namoro com a escultura também é um resgate do período em que vivia um affair com o humor, nos fecundos anos 70, numa fase muito romântica, imaginativa, com um pouco de absurdo.
Em agosto, os traços inconfundíveis do artista estará em uma exposição individual em Boston (EUA). Em Beirute, Paris, Boston, Curitiba e Londrina, o artista possui marchands. Juarez Machado revelou à Folha2 que em setembro, Roma sediará uma importante exposição comemorativa à passagem do Jubileu do Ano Santo, evento integrante do calendário oficial da cidade eterna. Machado será o único representante da América Latina que participará dessa coletiva, cujo tema será A Espiritualidade de Roma.
Com uma produção cada vez mais intensa, suas obras são adquiridas potencialmente por colecionadores, que não se contentam com apenas uma tela do artista. Em Londrina, um entusiasta por sua obra possui inúmeras telas (ele prefere manter sigilo sobre o nome). O artista costuma traçar um paralelo entre a paixão de um colecionador ao de uma mulher amante de jóias.
Ela nunca usa todas ao mesmo tempo, pois escolhe as jóias conforme a ocasião. O colecionador, muda seus quadros de acordo com o estado de espírito em que se encontra, compara. Ele mesmo possui uma coleção particular de inúmeros artistas que ultrapassa 700 quadros, distribuídos entre Rio de Janeiro e Paris.
Segundo observações de Machado, o Brasil já faz parte do mercado internacional de arte e o colecionador brasileiro não vê arte como mero prazer estético, mas atribui valor de um investimento. Juarez Machado aconselha aos interessados em adquirir obras de arte, que antes, façam uma consulta junto a um marchand, que está antenado com os artistas e tendências. Além disso, esse profissional é uma pessoa com estreito interesse em cultura e pode oferecer informações precisas sobre a melhor aquisição. A arte internacional brasileira se destaca, na concepção de Juarez Machado, devido a uma certa sensualidade. Traço que o descaracteriza como representante tipicamente brasileiro, visto que há um cheiro de Europa em sua pintura.
Juarez Machado produz intensamente, mas somente à luz natural, como prefere frisar. E dependendo do local onde é feita uma obra, a incidência da luz define o resultado. Muitas vezes, começo um quadro no Brasil e termino na Europa, confessa. Seu ateliê em Paris, em Montmatre, está instalado numa construção de 110 anos, numa rua em que trafegaram Pablo Picasso, Amadeo Modigliani e Vincent Van Gogh. Um ateliê impregnado de história, de estímulos visuais e sonoros.
O artista catarinense está sempre trajado elegantemente, como se fosse uma continuação de um desenho seu, mesmo que as temperaturas tropicais o açoitem impiedosamente. Em Londrina, o suor incontrolável enfrentou a elegância da gravata, dos suspensórios e dos sapatos impecáveis. A qualquer momento em que for flagrado por uma lente fotográfica, está pronto para a posteridade.
Metódico, até para pintar costuma estar vestido impecavelmente. Sua obra mais importante é aquela no qual está trabalhando. Assim como o último beijo, o último quadro é aquele com o qual Juarez Machado mantém ligação mais afetiva. Tanto que o mantém preso à cabeceira da cama até finalizá-lo. A pintura é uma paixão quase carnal para ele.Mestre da pintura contemporânea brasileira, o artista radicado em Paris passou por Londrina onde vai expor esculturas este ano
Mario CesarMario CesarSempre vestido de forma elegante, Juarez Machado enfrentou o calor londrinense de gravata e suspensórios





