Jovens londrinenses fazem sucesso na França
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Diáfano, a substância do sonho é o desejo. Para os que conseguem ver além das aparências, às vezes ele se realiza. Foi assim com as crianças e adolescentes do Grupo Cristal, do Centro de Produtores Independenteres de Arte e Cultura (Cepiac), do Conjunto Habitacional João Paz (Zona Norte), em Londrina. Eles acabam de retornar de uma viagem à França.
''Nem no maior dos meus sonhos eu poderia sonhar como eu sonhei''. A afirmação de Gabriela Pereira da Silva, 10 anos, integrante do elenco do espetáculo ''Flores e Cantigas''. Os 15 artistas viajaram a convite do grupo francês Studio Théâtre, com o apoio do Ministério da Cultura (MinC), que liberou R$ 38,9 mil para a compra de passagens.
''Com a crise econômica e a alta do dólar não pudemos viajar em 17 pessoas, como queríamos. Porém, o reconhecimento do nosso trabalho e a valorização artística pelos franceses foi grande. Eles aumentaram em 400 euros o cachê e deram um complemento de 600 euros e, com isso, conseguimos cobrir as despesas'', destaca a coordenadora do Cepiac, Darlene Kopinski.
A garota Maria Gabriela conta que os franceses aplaudiram muito o espetáculo, sendo que os jornais deram destaque para os londrinenses. Em matéria sobre a apresentação, o ''Jours à Stains'' situou Londrina como um verdadeiro laboratório cultural com grande abertura para o mundo.
''É cultural entre os franceses, o elenco voltar repetidamente ao palco para agradecer as palmas. Voltamos muitas vezes, um sinal de que gostaram bastante do espetáculo. Quando saímos do teatro, eles tentavam nos tocar, como os fãs fazem com artistas famosos. Nos sentimos verdadeiras celebridades'', conta Maria Gabriela.
O grupo trouxe na bagagem o intercâmbio cultural com culturas de vários países africanos ao visitar comunidades e associações de senhoras e jovens imigrantes. ''Conhecemos um menino que foi tirado da família porque a mãe é alcóolatra. Quando estávamos para voltar ao Brasil, ele pegou as economias de seis meses e comprou um bolo e flores para nós'', lembra Vanessa de Souza, 17 anos.
Os londrinenses também têm histórias para lembrar do dia em que viram neve pela primeira vez. Flávia Paes,17 anos, conta que as meninas faziam um desfile de biquínis, quando uma delas foi à porta e viu que estava nevando. Há cinco anos isso não acontecia na região. ''Estava um frio da pega. Saímos de biquíni mesmo. Quando pisei descalça na neve a sensação era de estar pisando sobre água morna'', emociona-se Flávia.
As apresentações e oficinas tomaram conta da maior parte do tempo do elenco na França, sobrando pouco tempo para passeios, mas puderam conhecer pontos turísticos como a Torre Eiffel, Champs-Élysées e o Louvre.
Ao voltar ao Brasil, o grupo foi surpreendido com o Prêmio Culturas Populares - Mestre Humberto de Maracanã, promovido pela Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (STD/MinC), no valor de R$ 10 mil.


