Jovens detentos fazem oficina de vídeo
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Adolescentes que cumprem medidas de privação de liberdade em duas unidades de Curitiba e Região Metropolitana estão participando de oficinas que abordam quatro temáticas principais: violência, cidadania, direitos e deveres e cultura de paz. Durante o projeto, intitulado ''Luz, Câmera...Paz!'' os 28 meninas e meninas que integram o grupo vão produzir vídeos sobre esses assuntos. As oficinas começaram no mês passado e já renderam frutos. São letras de música, poesias e colagens onde os participantes expressam as suas opiniões.
''Percebemos que eles (os adolescentes) se expressam mais produzindo alguma coisa, um poema ou uma colagem, por exemplo, do que falando sobre o assunto'', conta a psicóloga Flávia Muniz. Ela acompanha as oficinas, que a cada dia da semana traz um palestrante convidado. Já ministraram palestras a psicóloga Denise Elisandra Lasarini, músicos de hip hop da ong Iddea e a socióloga Marcilene Garcia de Souza.
Os grupos de estudos acontecem na Unidade Social Joana Richa, em Curitiba, e na Unidade Social da Fazenda Rio Grande. A primeira tem 16 meninas internadas, cumpridos medidas sócio-educativas e a segunda, 12 meninos. Todos estão participando do projeto.
''O objetivo é dar oportunidade para que esses adolescentes mostrem para a sociedade a maneira como eles enxergam a realidade'', diz Flávia. A proposta é produzir vários vídeos até o final do projeto, que tem duração de seis meses.
A cada encontro, os adolescentes têm contato com uma câmera digital de vídeo e fotografia. Segundo explica Flávia, eles podem sugerir o tema a ser filmado ou fotografado, desde que integrem os assuntos discutidos durante as oficinas.
A produção dos trabalhos, desde o roteiro à finalização, será feita pelos próprios adolescentes. O material será divulgado em local escolhidos por eles, que vão definir o público que querem atingir.
''Luz, Câmera...Paz!'' é um projeto desenvolvido pelo jornalista Téo Travagim e Liliam Romão. Foi aprovado pelo Concurso Nacional Juventude e Paz e é financiado pela Coordenadoria Ecumênica de Serviços, entidade com sede na Bahia.


