Crisleane Guimarães, 19 anos, pretende ser a mais jovem escritora a fazer um lançamento de livro na Biblioteca Municipal de Londrina. Para isso, no entanto, precisará vencer algumas barreiras ''burocráticas'', como conseguir um ou mais patrocínios que a ajudem a pagar as despesas com convites e coquetel, exigências da Biblioteca para organizar o evento. O valor é pequeno, em torno de R$ 450,00, mas o dinheiro é curto para essa jovem e determinada escritora, que tem superado muitas dificuldades para realizar seus inúmeros sonhos.
O livro ''A Primeira Vez'', escrito quando estava com 17 anos e lançado em um shopping de Apucarana, cidade onde nasceu e viveu até o ano passado, é apenas um deles. A história que o livro conta é sobre um processo de crescimento, uma criança que vira adolescente. Reflete, sem dúvida, um pouco de sua vida, na qual se observa uma vontade enorme, quase uma obstinação, em se tornar alguém, em se destacar. Crisleane é filha única e vive com a mãe, tendo da figura paterna apenas e sempre uma imagem fugaz. Sua precocidade tem raízes aí. Desde os 8 anos de idade cooperava com as despesas de casa, vendendo pão de queijo. Desde essa época também, acostumou-se a passar nas lojas da cidade pedindo roupas velhas e brinquedos quebrados que, depois de consertados por ela mesma, distribuía para crianças carentes.
Foi esse trabalho beneficente que, no ano 2000, acabou por levá-la aos Estados Unidos, em viagem de uma semana, conquistada na promoção ''Sonhadores do Milênio'', da rede Mac Donald's, e que envolveu 2 mil pessoas do mundo todo. Para fazer jus ao prêmio, era preciso estar realizando um trabalho comunitário de resultado comprovado. Dos 450 mil inscritos no Brasil, 40 foram escolhidos, sendo 6 do Paraná e, entre eles, Crisleane. A viagem animou-a a escrever um diário e a primeira decepção amorosa levou-a a transformar esses escritos em um livro.
Também não foi fácil dar consistência real a mais esse sonho, gerado aos 17 anos de idade. Conseguiu espaço na gráfica do colégio onde estudava, mas pagou todas as despesas de produção e publicação com a venda dos livros, da qual ela mesma se encarregou. Tão jovem e já sabendo de tantas coisas, tais como ''o que a pessoa quer, ela alcança, pode ser difícil, mas alcança''. Quem há de duvidar, conhecendo a sua história? Mas tem mais, todo esse sofrimento trazido por um pai ausente ampliou sua noção do que é importante para crianças e jovens: amor, carinho, atenção, ''muita conversa, cultivar valores''. Sua preocupação é que não tendo isso em casa, os adolescentes sejam atraídos pela ''alegria fácil, a felicidade rápida das drogas''.
Por causa dessa sabedoria, ainda ''verdinha'', mas já pujante, Crisleane começou a dar palestras. O novo sonho é ampliar esse campo, direcionando sua conversa para os jovens das escolas públicas. Em paralelo, escrever outro livro sobre ''adolescência, fase de turbulência'', com o apoio de um psicólogo, ''para orientar nas questões mais técnicas''. E ainda: crescer profissionalmente e concluir o curso de Ciências Sociais, que começa este ano na UEL, com, pelo menos, um período feito na Europa. O que mais? ''Casar, ter três filhos, viajar pelo mundo...''

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