Jota
O brasileiro dormiu otimistaá - ao som da sanfoninha do Dominguinhos - e acabou caindo da cama: acordou como bola da vez. Fernando Henrique Cardoso (o presidente) falou grosso, prometeu tudo o que já tinha prometido no pacote 51 e apontou os cinco dedos da mão pra nós. Só não chamou a gente de caipira e vagabundo porque estamos com o dedo pronto para apertar as teclas da urna eletrônica.
Avança, Brasil! E todo mundo empurrando porque acabou o combustível. E tomando os remédios receitados pela equipe econômica, piores que os placebos vendidos nas farmácias como remédio verdadeiro. FMI nas veias econômicas do País.
É mais ou menos o mesmo remédio que os asiáticos andaram tomando. Aperto nos cintos, desemprego, quebradeira e outros males responsáveis pela extinção dos tigres. Imaginem para nós, que somos gato pequeno... FHC (presidente) admite até aumentar os impostos. E o FHC (presidente), que pretendia ser um novo Juscelino Kubitscheck (presidente bossa nova) vai acabar como presidente imposto novo.
É uma boa solução. Considerando que os impostos no Brasil estão pela casa dos 30% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas do país), ainda é possível esticar um pouco. Talvez até 60% do PIB. Será depois da eleição, é claro, quando os nossos dedos, desocupados da função de apertar botão de urna eleitoral, estarão sem munição.
Um imposto que poderia ajudar no acerto de contas do Brasil é o projeto de lei, de autoria do senador Fernando Henrique Cardoso, que taxa as grandes fortunas. Mas esse está fora de cogitação. Tanto o Fernando Henrique Cardoso presidente quanto o Fernando Henrique Cardoso candidato têm divergências inconciliáveis com senador Fernando Henrique Cardoso.
E para não dizerem (o FHC candidato e o FHC presidente) que sou oposição que serve apenas para reclamar, lanço aqui minha propostas - três, por enquanto, mas, se a crise apertar, temos mais sugestões - para a criação de novos impostos como contribuição para tirar uns tostões desse pessoal que reclama, reclama e - levando em conta que, pelas pesquisas, FHC leva no primeiro turno - nem é oposição. Avança neles, FHC!
Jota
IMPOSTOS SEM IMPOSTURA
IMPOSTO SOBRE A BAIXARIA Uma taxa que incida sobre a baixaria vigente no país, especialmente na televisão. Não afetará de maneira alguma as classes desfavorecidas que, tendo que suar para ganhar o pão de cada dia, não dispõem de tempo para baixarias. Este imposto será pago principalmente por apresentadores de televisão que faturam alto com seu talento para a baixaria. Ratinho, Gugu, Faustão e clones vindos e advindos arcarão com as despesas. As redes de televisão que os contratam também terão uma boa porcentagem de desconto em seus faturamentos. Novelas incluidas.
IMPOSTO SOBRE OPOSIÇÃO Trata-se de uma taxa a ser criada especialmente para este pessoal que não tem medo de ser feliz. A contribuição será definida levando em conta o grau de oposição do indivíduo ou grupo. Exemplificando: os lights do PT pagam menos que seus xiitas. A ala dura do MST, outro exemplo, terá uma sobretaxa além do imposto devido. Obs: não poderá ser aceito o pagamento em terras ocupadas.
IMPOSTO SOBRE O ELOGIO FÁCIL Visa atingir essencialmente a classe-média, mas também estão sujeitos à ele também a classe política, a artística e a empresarial; no fundo, no fundo, todos fazedores de médias. Elogio em boca própria, além de ser vitupério, terá sobretaxa e carteirinha permanente na malha fina da Receita Federal. Artista manipulador da mídia também paga extra (caetanos não poderão quitar seus débitos com plumas). Classe-média com pessoa desempregada na família ou num raio de 150 metros que for flagrado elogiando o governo (qualquer um) também será sobretaxado. É uma lei difícil de ser aprovada no Congresso Nacional onde certamente sofrerá oposição cerrada do PFL. Mas será uma boa ocasião para os pefelistas - num ato inédito e insólito - pagarem o Imposto Sobre Oposição.





