Existe quase a certeza de que Fernando Henrique Cardoso (o candidato) ganha no primeiro turno. Mas vamos supor que, contrariando as expectativas da maioria absoluta da tal da mídia, haja um segundo turno.
Contados os votos, o país descobre com surpresa que vai haver segundo turno. E vão para o segundo os candidatos João de Deus, do PT do B, e José Maria Eymael, do PSDC.
Então será mais urgente que de praxe a costura de alianças políticas, o chega-pra-cá do segundo turno. Candidatos de partidos sem expressão na política nacional, os dois candidatos terão de se apressar na luta por apoio e verbas para a campanha. O tempo de cada um no horário eleitoral, que no primeiro turno nem chegava a um minuto, agora salta para 15 minutos.
Verba não é problema. Os grande grupos econômicos imediatamente começam a oferecer verbas tanto para o baluarte varguista João de Deus quanto para o guardião da moralidade Eymael. Duas grandiosas campanhas se formarão.
Nizan Guanaes e Duda Mendonça, que são, tanto um quanto o outro, Eymael e João de Deus desde criancinhas, brigam pela verba publicitária dos dois. E dessa vez dará empate. Cada um fica com uma campanha.
Para Eymael já tenho o slogan: ‘‘Só Eymael pode vencer João de Deus’’. Guanaes (ou o Mendonça) podem mandar o cheque depois. Tolice mexer no jingle do candidato. Aquele ‘‘Ei, ei, Eymael/Um democrata cristão/Para presidente do Brasil/Queremos Eymael/Pela família e pela nação’’, usado desde 84, ainda é o mais funcional. Não se mexe em jingle que já está chateando.



João de Deus pode trocar de vice no segundo turno. Rodolfo Gamberini - o vice ideal: bem apessoado, simpático e só fala o que o chefe manda - é uma boa pedida. Com a mesma verba, além do vice, o programa ganha também um bom apresentador que pode fazer aquele insólito ‘‘talk-show’’ do programa do FHC (candidato), o responde-que-depois-eu-pergunto.
Os dois partidos que disputam o segundo turno crescem mais do que bolo de viagra. O PT do B e o PSDC, que no primeiro turno não tinham nenhum representante na Câmara Federal e muito menos no Senado, já disputam a posição de ‘‘maior partido do ocidente’’.
Com um programa de governo simples e de fácil execução - ‘‘o fim do CPMF’’ - , Eymael cerca-se de economistas para complicar um pouco e atrair a mídia. O candidato derrotado Ciro Gomes se oferece para cuidar do real. Fernando Henrique Cardoso (presidente e candidato derrotado), farto dessa conversa de real, promete apoio antes de passar a faixa. Mas quer o Ministério de Relações Exteriores.
Luís Inácio Lula da Silva e Leonel de Moura Brizola evidentemente estão com João de Deus. O primeiro, conforme diz o segundo, é o legítimo herdeiro do trabalhismo. E o segundo, é a própria história viva do trabalhismo de Vargas, sobrepujado apenas pelo candidato presidencial João de Deus que, além da volta à política de Vargas, tem como meta arranjar saída do Brasil para o oceano pacífico e a canalização do rio Amazonas para acabar com a seca no Nordeste. Este talento para ‘‘tocador de obras’’ atrai o apoio do ex-presidente e literato José Sarney, de olho na obra do Amazonas. Haja fundos! Ciro Gomes se oferece para cuidar do real.
Apenas o senador Antonio Carlos Magalhães e seu PFL permanecem serenos em meio a balbúrdia do segundo turno com João de Deus e Eymael. Fiéis ao seu ideal programático, esperam o TSE anunciar o presidente eleito para então oferecerem seu incondicional apoio.

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