Jota
Já decidi em quem vou votar este ano. Eu sei que vocês acharão esquisito um jornalista declarando voto publicamente. E tão cedo assim é mais esquisito ainda. Boa porção da mídia costuma esperar algum tempo para declarar seu apoio. Mais ou menos cinco minutos após o TSE anunciar o vencedor da disputa. Então se declaram. E depois são quatro - com o literato Sarney foram cinco - anos de casamento firme. Dessa vez aconteceu um fenômeno atípico. Já se vão quase quatro anos apoiando o presidente. E aproveitaram para grudar este apoio ao candidato. Isto é real.
Mas vou ser diferente. Este ano votarei no Nizan Guanaes. Não, não adianta puxar pela memória. Ele não está entre os 13 candidatos presidenciais - porque um não se apresentou a tempo - que honram nossa jovem democracia e testam a nossa paciência. Meu candidato, o Guanaes, é marqueteiro-chefe da campanha do FHC, cargo que ocupou também na vitória de 94. Ele está fazendo algo inédito em campanha eleitoral: botou na praça um candidato à reeleição que desce o sarrafo no governo anterior.
Já disse aqui que a habilidade do bom marqueteiro se mede, acima de tudo, por sua capacidade de se vender. O candidato fica para depois. Nizan Guanaes é um mestre. Vendeu bem sua idéia de sentar o cipó no governo FHC.
O candidato Fernando Henrique Cardoso comprou a idéia e a interpreta bem. Habilidades de sociólogo que, se não souber interpretar bem as idéias alheias, acaba a vida dando aulas em Itaquera e não na Sorbonne. O candidato (como presidente) até inovou no assunto, aproveitou para pedir às pessoas que esquecessem as suas idéias. A sacada do Nizan foi botar o FHC na oposição, área onde ele sempre teve grande trânsito antes da candidatura à presidente.
À exemplo do candidato, o senador Fernando Henrique também daria uma boa descascada nesse presidente FHC. É de sua autoria, por exemplo, o projeto de lei que taxa as grandes fortunas. Uma idéia ousada do presidente (como senador) que - se o Lula bobeia; e ele bobeia - o FHC (enquanto candidato) tira do bolso do paletó e reapresenta para a população a idéia de taxar os ricos. Pode sobrar até para a cobertura do Lula, que se defende enquanto o FHC ataca. O governo...
O estrago que ele (na pele de candidato) anda fazendo no governo FHC é de se cair o queixo. Se as pesquisas derem uma balançada - coisa difícil de se conseguir de branco e ao som do Mano Brown, tá ligado?; mas vamos imaginar, para que eu possa seguir meu raciocínio -, o FHC (candidato) é capaz de soltar os cachorros em cima do FHC (o presidente).
Não vai ter ACM para escorar o ataque de um FHC (o candidato) ensandecido com a queda nas pesquisas. Pois se vitorioso nas pesquisas ele ataca o desemprego, a falta de financiamento para a agricultura, falta de apoio para as pequenas empresas e outros males do FHC (o presidente) desse jeito que vemos no horário eleitoral, imaginem o que não faria com os seus índices escapando pelo Gallup, ou entrando pelo Ibope?
O homem é capaz de derrubar o governo. Botar o MST nas ruas para invadir propriedades e ocupar prédios (não será para estudar preventivamente esta estratégia que ele anda conversando com o José Rainha?). Com a eleição escapando entre seus cinco dedos da mão, o FHC (candidato) é capaz de tudo. Até de chamar o Mano Brown e uma pá de mano pra dar um chego em seu programa. Pode até, brasileiros e brasileiras, denunciar olhando nos olhos do eleitor que, o FHC (presidente) diz a verdade: realmente não somos a bola da vez. Há muito tempo que fomos para a caçapa.
É por isso que vou votar no Nizan Guanaes. Com o FHC na oposição, vamos precisar de alguém para governar o país.





