FUTEBOL COM HUMOR
Em segunda edição, depois de 47 anos, ‘‘Dicionário Popular de Futebol’’ traz caricaturas antológicas de LanNo meio da batelada de livros sobre futebol editados para aproveitar o clima de Copa do Mundo há pelo menos um clássico, de qualidade incontestável, e que traz um elemento a mais que torna sua edição uma delícia para os olhos. É ilustrado pelo caricaturista Lan, craque da pena e do humor, elemento que anda sumido até dos gramados.

‘‘Dicionário Popular de Futebol’’ (Editora Nova Fronteira, 267 páginas, R$ 24,00) é tão clássico quanto um Pelé ou um Garrincha. Foi escrito por Leonam Penna (1903-1979) e publicado em 1951, logo depois daquela tragédia na final da Copa de 1950. Cronista de futebol, colaborador de dicionários, entre outros do respeitável ‘‘Aurélio’’, Leonam Penna é uma daquelas pessoas - junto com Mario Filho, Nelson Rodrigues, João Saldanha e outros visionários - que deram o pontapé inicial na transformação do futebol em esporte de massas no Brasil. Fizeram do ‘‘football association’’ um produto genuinamente brasileiro e artigo importante de nossa pauta de exportações.
Uma comprovação do eficiente trabalho desses desportistas é a segunda edição do livro de Penna - revista e atualizada. Os termos técnicos se aportuguesaram. Hoje é muito mais fácil se bater uma bolinha. Tudo é feito inteiramente em nossa língua. Na época da primeira edição, ainda se discutia se o homem que fica embaixo das traves era ‘‘goal kepper’’ ou goleiro.Os campeões do mundo de 1958 no traço de Lan: da esquerda para a direita, no primeiro plano; Garrincha,Joel Mazola, Vavá, Pelé, Zagalo e Feola; no segundo plano: Mario Américo, Djalma Santos, Didi, Moacir, Oreco, Dida, Dino e Pepe; no alto, Zito, Castilho, Belini, Gilmar, Mauro, Nilton Santos e Zósimo
Para ilustrar esta segunda edição de ‘‘Dicionário Popular de Futebol foi convocado um craque. Lan é um cronista esportivo dos melhores. Nascido em Veneza - onde é impossível bater uma bola na rua -, o italiano passou a infância no Uruguai, trabalhou na Argentina e passou a viver no Rio de Janeiro a partir de 1952, quando veio de férias ao Brasil e se encantou com a geografia e a gente do Rio. Desde então vem se mostrando um dos cronistas que mais entendem a alma carioca.

No livro estão algumas caricaturas em preto e branco publicadas no Jornal do Brasil, onde além da charge política Lan fazia a crônica dos tipos da cidade, seus modos e costumes, incluindo nisso o futebol. Mas o melhor lance mesmo, com um tom de nostalgia maravilhoso, são as caricaturas de times de futebol editadas em um caderno à cores, como aquelas fotografias da equipe antes do início do jogo. São republicações de desenhos da década de 50 com caricaturas dos times do Flamengo, América, Fluminense, Bangu, Botafogo, Corinthians, Santos, São Paulo e Vasco da Gama, além de caricaturas da Seleção Brasileira.
São o toque de emoção, em um livro que fala ao coração do brasileiro. Tem o sabor nostálgico daquelas que saiam em páginas inteiras nos jornais esportivos como homenagem ao campeão do ano.E ainda aguçam a vontade de ver mais espetáculo, com uma edição inteira, por exemplo, de caricaturas de times brasileiros, da década de 50 para cá. Com o Lan já escalado por antecipação, é claro.
Jota




DRAMAS DA VIDA REAL

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