Jota
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de março de 1998
Jota MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA 
-Na compra de seu apartamento, certifique-se se existe um engenheiro responsável, mas bem responsável mesmo, pela obra. Sem imunidade parlamentar. Se este último quesito não for preenchido garanta-se com alguma fita em que ele (o engenheiro) esteja falando algumas bobagens.
-Mas feche negócio somente se, entre os moradores do prédio, tiver bombeiros, engenheiros, médicos. Advogados e jornalistas também ajuda. Mas o ideal mesmo é morar no prédio do FHC. Em caso de problemas é só chamar o síndico.
-Evite viadutos. Mesmo se tiver que optar pelo caminho mais longo. Se não for possível chegar em casa sem passar por viaduto, mude para outra cidade. Sem viaduto.
-Só apareça em hospitais com muita mas muita saúde mesmo. De preferência no horário de visitas.
-Em caso de dúvida - índice paranóico de taxa elevada -, mande as flores pelo portador. Entregador de floricultura ganha para correr esse tipo de risco também.
-Use cinto de segurança até para zapear programas na televisão. Capacete durante o churrasco de fim-de-semana também é recomendável. Peladas de praia canceladas enquanto o Edmundo estiver vadiando no Brasil.
-Nada de aeroportos. Não apareça nem para se despedir de amigos. Morar perto, nem pensar. Mas se a viagem de avião for inevitável, certifique-se se o dono da empresa, além de recebê-lo com sorrisos na porta do avião, também embarca na aeronave.
-Necas de Croquete de camarão, casquinha de siri e sarapatel e acarajé garantido pelo ACM. Buchada de bode, só em campanha.
-Durma sempre com um olho aberto. Em cidades com mais de cem mil habitantes, abra os dois para dormir. Se você for índio ou pobre, não durma no ponto.
-Na hora de investir seu dinheiro, verifique se a instituição é idônea, consulte todos os índices do mercado, ligue para o Joelmir Betting, para o Nassif, para a Lilian Witte Fibe, e depois guarde tudo embaixo do colchão.
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