Jota
UM CRAQUE
DO HUMOR
O apelido do Flamengo nasceu dos cartuns de Henfil publicados no Jornal dos Sports, do Rio. No final da década de 60, o cartunista criou vários personagens para as torcida dos times cariocas
Em tempos em que o seis a zero era sempre favorável ao Flamengo, o rubro-negro Henfil deitou e rolou com a habilidade de Zico e a infelicidade dos adversários
O ex-jogador Zico vai ter que mostrar que é um craque também fora das quatro linhas do gramado para resolver, em menos de cem dias, os problemas criados em mais de três anos por Zagalo e companhia. As trapalhadas da dupla Zagalo, ou melhor, Zagallo e Teixeira, dariam um ótimo material para um finíssimo cronista esportivo que, infelizmente, não está por aqui para acompanhar esta comédia com a galera das gerais. Fã do futebol de Zico, ele também estaria torcendo pelo sucesso do Galinho de Quintino entre os desnorteados canarinhos.
Henfil foi um dos mais populares cronistas esportivos - no traço e no humor - da imprensa brasileira. Durante um bom tempo formou uma excelente dupla de área com Zico, na melhor fase do Flamengo. Ele nas páginas do Jornal dos Sports e o craque nos gramados. Seus cartuns do livro Urubu e o Flamengo, lançado em 1996 pela editora 34, formam um desenho histórico dos bons tempos do time. O livro, póstumo, reserva um capítulo inteiro para charges com Zico.
O apelido Urubu para o Flamengo e sua torcida nasceu nos cartuns de Henfil no diário Jornal dos Sports. Em abril de 69 surgiram os primeiros personagens - Urubu, para o Flamengo; Bacalhau, para o Vasco - de uma série que englobaria todas as torcidas importantes do Rio. O Fluminense era o Pó de Arroz, Cri-Cri era o Botafogo, e o América - numa sacada genial - virou o Gato Pingado. Impresso em papel cor-de-rosa, o Jornal dos Sports encantava os torcedores cariocas. Cobriam tudo dos times do Rio e chegavam a lançar até edições urgentes, 15 minutos após o término dos clássicos no Maracanã, que eram disputadas a tapa pelas torcidas.
Em 78 o Flamengo ganhava tudo. Já tínhamos ganho em 74 o campeonato carioca, depois ganhamos também em 79. O Henfil fez o diabo com esse tri, escreve Zico em Urubu e o Flamengo. Os cartuns de Henfil enfeitiçavam a torcida. Os adesivos com as charges do Urubu para colar no vidro do carros eram disputadíssimos, conta o craque.
O apelido grudou de vez no time graças a um lance fortuito, digno de futebol. Em um jogo difícil - o Flamengo perdendo de um a zero do Botafogo -, um urubu foi jogado no campo. A torcida gritava enlouquecida: É urubu! É urubu!. O jogo terminou com o placar de três a um para o Flamengo. E a consagração para o cartunista.
É claro que, além do urubu, o Flamengo tinha também o Galinho jogando tudo. Agora com o Zico no banco, haja urubu para os brasileiros lançarem nos gramados da França.
Jota





