Jota
Jota
A FALTA QUE ELES FAZEM
Tem gente que faz mesmo falta. Se estivesse vivo, Stanislaw Ponte Preta faria 75 anos este ano. Um garoto, perto do pré-secular Dr. Barbosa Lima Sobrinho. Stanislaw é o alter ego do escritor Sérgio Porto, por isso são da mesma idade. Já propus, nesta página, que 1998 fosse todo dedicado ao Sérgio Porto, mas enquanto o FHC não assina a medida provisória, vou vivendo o Ano Sérgio Porto por conta própria.
O escritor Sérgio Porto morreu há trinta anos e faz falta. Ele e seu alter ego Stanislaw Ponte Preta poderiam estar por aqui catalogando o FEBEAPÁ atualPoderia ser também o Ano do FEBEAPÁ, o Festival de Besteira que Assola o País, de saudosa memória. Sei que há tempos que nesse país todo ano é do FEBEAPÁ, mas sendo este um ano reeleitoral, a homenagem cairia bem. O FEBEAPÁ foi uma das sacadas do gênio de Sérgio Porto, ou melhor, Stanislaw Ponte Preta.
Era publicado em sua coluna na Última Hora, um dos jornais de maior tiragem nos anos 60. O FEBEAPÁ apareceu em livro pela primeira vez no Garoto Linha-Dura, livro de crônicas de Stanislaw editado em fins de 1964, logo depois da Ditadura Militar. Mas logo o FEBEAPÁ exigiu volumes próprios e foram editados FEBEAPÁ I, II e III, sendo este terceiro de 1968. E toda uma coleção seguiria para a impressão - a enciclopédia do FEBEAPÁ - , não fosse a morte do cronista, enfartado aos 45 anos, em setembro de 1968. Dois meses antes Sérgio Porto denunciara uma tentativa de envenenamento, sofrida durante o Show do Crioulo Doido, no Rio. Yo no lo creo em las brujas, pero naquele tempo havia.
Para abastecer sua coluna com as besteiras, o cronista contava com uma rede de informantes de fazer inveja ao DOPS - o Departamento de Ordem Política e Social, da Ditadura Militar. De todas as partes docartas, folhetos, colhidos pela Pretapress, segundo o cronista, a maior agência informativa do mundo, porque nela colaboram todos os leitores de Stanislaw.
país, os leitores enviavam recortes de jornais,Vejam estes exemplos do FEBEAPÁ, que recolhi dos livros FEBEAPÁ I, II e III, do Stanislaw Ponte Preta. E vocês vão me dar razão: ano reeleitoral tem que ser o Ano do FEBEAPÁ.
JotaO FEBEAPÁ DO STANISLAW
EDUCAÇÃO
Em Minas, realizou-se a Exposição Nacional do Cavalo; falando a O Globo, o general Lindolfo Ferraz Filho, que representava o Ministro da Guerra, afirmou: O certame foi o melhor e o mais educativo de quantos já vi.
Explica-se: o general é do Serviço de Remonta do Exército.
AVISO
Ibraim Sued, que já era do Festival antes de sua oficialização, estreava num programa de televisão e avisava ao público: Estarei aqui diariamente às terças e quintas.
INTIMAÇÃO
Foi então que estreou no Teatro Municipal de São Paulo a peça Electra, tendo comparecido ao local alguns agentes do DOPS para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 ª C..
DOAÇÃO
O general Olímpio Mourão Filho doava ao Museu Mariano Procópio, de Juiz de Fora, a espada e a farda de campanha que usava como comandante das forças que fizeram a redentora de 1º de abril. Isso é que foi revolução; com pouco mais de dois anos já estava dando peças para museu.
DESAGRAVO
O cidadão Aírton Gomes de Araújo, natural de Brejo Santo, no Ceará, foi preso pelo 23o. Batalhão de Caçadores acusado de ter ofendido um símbolo nacional, só porque disse que o pescoço do Marechal Castelo Branco parecia pescoço de tartaruga, e logo depois desagravava o dito símbolo, quando declarava que não era o pescoço de S. Exa. que parecia com o da tartaruga: o da tartaruga é que parecia com o de S. Exa..
FOI LONGE
Está aqui, no jornal Unitário, que se edita em Fortaleza (CE), na coluna de Ademar Nunes Batista: O professor Olívio Martins, docente do Liceu, encontra-se em Berlim, especializando-se em português, com bolsa de estudo. Foi longe.
ACONTECIMENTOS
Dois acontecimentos absolutamente espantosos, cuja justificação só pode ser aceita se arrolados como inerentes ao Festival de Besteiras: o costureiro Denner casou e Ibraim Sued publicou um livro.





