Em ‘‘Viver de Rir II’’, estão 14 autores que o escritor Flávio Moreira da Costa selecionou e traduziu, trazendo para as prateleiras grandes textos clássicos de humor
São raros em nossas livrarias os bons livros de textos de humor. Nesta área, as editoras nacionais ainda tem muito o que imprimir. A prateleira de humor, já mirrada, está sempre tomada por paródias de livros de auto ajuda. Talvez seja moda, mas de qualquer maneira é uma moda sem graça nenhuma e os autores conseguem ser até piores do que o objeto parodiado. Fora deste besteirol, há pouca qualidade nos pequenos vãos onde se deveria encontrar humor. Para os clássicos do humor, então, o espaço é inexistente.
O livro ‘‘Viver de Rir II - Um Livro Cheio de Graça’’ (Editora Record, 1997), vem - como se dizia no tempo dos clássicos - preencher esta lacuna. É vida inteligente na fileira do besteirol que os livreiros encaixam na seção de humor. São 14 autores, selecionados e traduzidos pelo escritor Flávio Moreira da Costa. É uma seleção só de clássicos. Há desde o inédito H. H. Munro - escritor inglês do período vitoriano que escrevia sob o pseudônimo de ‘‘Saki’’ - até o norte-americano Mark Twain, conhecido autor de ‘‘As Aventuras de Tom Sawyer’’, de quem Flávio Moreira da Costa traduziu o conto ‘‘O Roubo do Elefante Branco’’, de tanta repercussão que até originou a expressão que significa algo de muito grande e sem utilidade. Para nós, que vivemos cercados de ‘‘elefantes brancos’’ neste país, é até instrutivo ler a pequena obra-prima de Mark Twain.
Mas tem mais. Para ser exato, mais uma dúzia de autores além dos citados. Tem os franceses Voltaire, Alphonse Allais, e Guy De Maupassant; os brasileiros Artur Azevedo, Antonio de Alcântara Machado, Lima Barreto, Qorpo Santo e Machado de Assis; o português Fernando Pessoa; o russo Anton Tchecov; o italiano Pirandello; E o americano Ambrose Bierce (1842-1914), escritor de vida agitada e lendária, desaparecido no México durante a Revolução dos muchachos de Pancho Villa. Bierce - de quem destaco nesta página alguns trechos de seu ‘‘Dicionário do Diabo’’ - é um escritor dos mais ácidos, autor de inteligentes aforismos. Foi colunista de imprensa nos EUA e apoiou H. L. Mencken, também possuidor de um estilo feroz e iconoclasta, em início de carreira. Influenciou também o escritor Ernest Hemingway.
Flávio Moreira da Costa já havia editado o primeiro ‘‘Viver de Rir’’ em 1994. Ao sucesso daquela antologia sucedeu um longo período de jejum dos leitores e de grande prazer para o tradutor que passou este tempo lendo bastante para a feitura deste segundo volume. Só nos resta torcer para que não tenhamos que esperar mais três anos para encontrar o ‘‘Viver de Rir III’’ nas livrarias.

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