Jota
Humor não tem contra-indicação. Nem preciso dizer que é um santo remédio para o fígado e que cura tosse, bronquite, rouquidão. Isso todo mundo sabe. Sabem também que é bom contra os acessos de corrupção, mão leve, prepotência e desvarios econômicos. Até para Ditadura Militar, contra cassetetes, tropas de choque e cães policiais.
Humor serve para qualquer doença. Faz efeito até contra a AIDS. Essa doença - que Henfil (1944-1988) chamava de a peste do século - multiplicou-se graças ao mau humor e ao preconceito que, no início da epidemia, impediram até que se falasse de camisinha nas propagandas de alerta contra a doença. Não podia, os guardiões da moral não permitiam. E a AIDS saltou da meia dúzia de doentes com AIDS e algumas centenas de infectados no início dos anos 80, para os quase 100 mil doentes de hoje. Só no Brasil, o número de portadores assintomáticos está entre 500 mil e um milhão. E, segundo a Organização Mundial de Saúde, entre janeiro e dezembro de 1995 houve um aumento de 26% no número de casos de AIDS em todo o mundo.
A moral vai bem, obrigado.
É por essas e outras que a Bienal Internacional de Humor - que será realizada em dezembro desse ano em São Paulo -, resolveu cair de pau na AIDS. O assunto desta primeira Bienal, que terá sempre um tema básico, é Sem AIDS, Com Humor. A Bienal é organizada pela Central Geral dos Trabalhadores - Brasil (CGTB), Estação das Artes Produções Gráficas e Jal & Gualberto Comunicação. O concurso tem o apoio do Ministério da Saúde, mas apesar disso não contém contra-indicação.
Para participar, não é necessário teste negativo. Deve-se enviar até três trabalhos no formato padrão de 30cm X 40cm até o dia 12 de novembro - valendo a data de postagem no Correio - para a Bienal Internacional de Humor, rua Redenção, 417, CEP 03060 - 010, São Paulo; cada trabalho deve ter no verso o nome, pseudônimo, endereço e telefone do autor. As premiações para o primeiro, segundo e terceiro lugar são, respectivamente, de 10 mil dólares, 8 mil dólares e 6 mil dólares.
A exigência para competir é apenas uma: não vale preconceito. Assim a gente pega essa peste de jeito.
Jota





