O PAPA
DO POP



Parece uma história em quadrinhos, mas não é. A obra ‘‘Masterpieces’’, de 1962, que tem 132cm de dimensão, é um dos trabalhos de Roy Lichtenstein que lhe valeram a fama de ‘‘pintor de histórias em quadrinhos’’Opintor norte-americano Roy Lichtenstein (1923-1996) era um gozador. Um dos criadores da Pop Art - movimento artístico que nasceu na década de 50 e atravessou a década de 60 fazendo a cabeça dos jovens do mundo todo -, deixou uma das obras mais bem humoradas da história da arte. Somente o Dadaísmo - movimento intelectual desenvolvido entre 1915 e 1922 - era páreo para a informalidade que reinava entre os adeptos da Pop Art. A diferença é que, ao contrário dos Pops, os dadaístas tinham também o compromisso da ‘‘destruição voluntária do mundo burguês das idéias’’. A Pop Art era menos feroz. Tinha até um lado bem comercial, que acabou gerando muitas obras apenas decorativas.Foi uma invertida nas intenções do movimento. Multiplicado em excesso, acabou com uma deformidade igual a do mundo de consumo que posou involuntariamente para seus criadores.
Roy Lichtenstein era um dos mais criativos inventores deste movimento, sobretudo norte-americano, que também incluia Andy Warhol, Jasper Johns e Robert Rauschenberg. Se os expressionistas tiraram os cavaletes dos ateliers e foram pintar de perto a natureza, os artistas pops usaram como modelos os produtos gerados pela sociedade industrial e os símbolos da cultura de massa. Enquanto Warhol pintava Marylins e Jasper Johns investigava os valores pictóricos da bandeira dos Estados Unidos, Lichtenstein acabou ficando mais conhecido como um pintor que tinha como tema as tiras de histórias em quadrinhos. O artista ampliava detalhes dos quadrinhos em telas de grande dimensão. O reticulado ampliado para o tamanho de uma bola de tênis e os balões de legendas e as onomatopéias causaram bastante impacto naqueles escandalosos anos 60. A grande dúvida, lançada nas polêmicas, era se aquilo era arte.
O artista aproveitou tudo de bom de ruim que a sociedade industrial colocou em sua frente. Pintou meias de mais de um metro de altura, máquinas de fritura, notas de dólares, cestos de lixo de cozinha, bolas de golfe e, claro, quadrinhos, muito quadrinhos. Só deixou um Dick Tracy para Andy Warhol, seu colega. Lichtenstein tinha um estilo bastante gráfico, de cores chapadas e traços bem definidos. Com esta técnica, inspirada na arte gráfica comercial, fez também belas recriações de obras de outros artistas. O pintor francês Cézanne e o espanhol Pablo Picasso foram dois dos que passaram pelas retículas do artista.
Lichtenstein foi-se no domingo passado. Faltou um Glauber Rocha para prestar-lhe a derradeira homenagem.
Jota

mockup