PIADASDE SALÃO






O logotipo do Salão deste ano. Às vésperas de seu Jubileu de Prata, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba tem em seu acervo a história política recente do Brasil, mais fácil de suportar com humor


O primeiro cartum premiado em Piracicaba. O trabalho do paulista Laerte retratava bem o clima que vivíamos em 1974, quando o Salão de Piracicaba nasceu como uma resistência ao Regime Militar







A cidade de Piracicaba (quantos quilômetros mesmo da capital de São Paulo?) não se aguenta de tanto rir. E não é o efeito da pinga maravilhosa daquelas bandas. É que já está acontecendo o ‘‘24º Salão Internacional de Humor de Piracicaba’’, que vai até o dia 24 de setembro. Estão expostos 260 trabalhos, selecionados entre os 1.357 desenhos enviados por artistas de cerca de 50 países. O Salão premiou quatro categorias: Cartum, Charge, Caricatura e Quadrinhos, além do Prêmio Unimep/Internet. A novidade deste ano foi o ‘‘Grande Prêmio Hyundai do Salão’’, independente de categoria.
Até eu estou rindo à toa com este Salão pois, modestamente, peguei um segundo lugar na categoria charge. O primeiro lugar foi do chargista Waldez, que conheço apenas pelos velozes calcanhares, mas que merece o prêmio só pelo belo nome do lugar em que vive: a cidade de Ananindeua - espera lá, vou repetir: Ananindeua -, no interior de São Paulo.
Na Caricatura venceu o caricaturista Quinho, bicampeão, pois ganhou também no ano passado com um belo trabalho sobre o então ministro da Saúde Adib (quero mais verba!) Jatene. O segundo lugar ficou para Dálcio, de Campinas, com um desenho do cantor Falcão, uma das figuras mais difíceis de ser caricaturada, pois o dito-cujo já é a própria.




Em História em Quadrinhos, os dois vencedores são da capital paulista. Os prêmios foram para o desenhista Lélis, da Folha de S.Paulo, e para o quadrinista Rogério Vilela, na segunda colocação.
No Cartum, dois participantes estrangeiros lrvaram os prêmios. O primeiro colocado foi o alemão Valeri Kurtu. Em segundo ficou Constantin Pavel, da Romênia.
O ganhador do Prêmio Unimep/Internet foi o cartum do argentino Sérgio Eduardo Langer. O cartunista piracicabano Eduardo Grosso perdeu por apenas 1% da votação, mas recebeu um prêmio especial, oferecido pelo Salão e pela Central Geral dos Trabalhadores (CGT) como uma homenagem a uma charge sobre AIDS.

Este ano o Salão editou uma bela revista com a publicação de seu acervo desde a criação da mostra, em 1974, em plena ditadura. O Salão Internacional de Humor de Piracicaba nasceu como uma resistência ao Regime Militar e acompanhou as várias fases políticas do país até agora. A Revista do Salão, idealizada pelo artista gráfico Camilo Riani, é uma verdadeira aula de história. É emocionante acompanhar a história da mostra, desde o primeiro cartum vencedor - do cartunista Laerte, de São Paulo - até os dias de hoje. É a história recente do Brasil. E só dói quando não rimos.
Ano que vem é o jubileu de prata do Salão. A merecida festa já está sendo preparada. Haja pinga na beira do rio de Piracicaba.
Jota

mockup