O TROFÉU
JUCA PATO




Opositor do nazi-fascismo, Belmonte levou seu famoso personagem à guerra contra as forças do eixo. O Juca Pato era a figura mais popular de São Paulo. Nos anos 30 era nome de cigarros, café, cavalo, sabonete e até mesmo de um maxixe

O Juca Pato marchando com Getúlio, depois da declaração de guerra contra a Alemanha e a Itália em agosto de 1942. Desde 1936, Belmonte atacava os nazi-fascistas em suas charges políticas



O escritor Luis Fernando Veríssimo é o ganhador do Troféu Juca Pato 1996, concedido ao intelectual do ano pela União Brasileira de Escritores. Quarenta escritores - dez mais do que o previsto pelo regulamento - indicaram Veríssimo pela autoria de Novas Comédias da Vida Privada, publicado no ano passado pela editora LP&M.

Veríssimo é o primeiro autor da área humorística contemplado com o Juca Pato, um prêmio que leva o nome do personagem criado pelo caricaturista paulista Belmonte (1896-1947) nos anos 20.

Autor de vários álbuns de desenhos e, inclusive, ilustrações para livros infantis de Monteiro Lobato, Belmonte viveu numa época de ouro da charge brasileira como uma raridade no ofício. Era o único paulistano, vivendo e desenhando em São Paulo, quando os grandes da caricatura brasileira - J. Carlos, Calixto, Nássara, Raul Pederneiras, Álvarus, Augusto Rodrigues, Theo - viviam e trabalhavam no Rio de Janeiro, então Capital Federal. Chegou a ser convidado para substituir seu ídolo J. Carlos na revista Careta, do Rio, mas desistiu da honra, porque teria que abandonar sua querida São Paulo.


Foi em São Paulo, na Folha da Manhã, que Belmonte criou o Juca Pato em 1925. Careca, óculos de tartaruga, de fraque, polainas e gravatinha borboleta, o baixinho enfezado que vociferava contra as bandalheiras da época rapidamente caiu no agrado do público. Nos anos 30, era nome de cigarros, café, cavalo, sabonete, caramelo e principalmente o bar Juca Pato, no centro da capital paulista, um dos pontos da moda naquela década.

Infelizmente para Belmonte isso tudo foi antes da invenção do merchandising e o caricaturista não lucrou nada com a exploração comercial de seu personagem que está aí até hoje, vivo, dando nome à um dos prêmios de maior prestígio no Brasil. O Troféu Juca Pato foi criado em 1962 e até agora - ironia das ironias - não tinha ido para as mãos de nenhum humorista. Coincidentemente, quem quebra este longo jejum é o gaúcho Veríssimo, um humorista que também nunca abandonou sua terra para fazer carreira nos grandes centros.

Jota

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