CURIOSIDADE
Quando um artista se lança em carreira solo, revelam-se certas nuanças de seu trabalho que antes estavam encobertas pelo grupo.
Arnaldo Antunes, por exemplo, continua o mesmo. Mas em seus trabalhos atuais – sem o grupo Titãs para fazer barulhos por trás – é possível perceber que ele tem certas deficiências vocais que prejudicam de certo modo suas composições. Ou, para falar na linguagem da rapaziada, canta mal paca.
3A fritura do ministro Rafael Greca exige cautela do bipresidente Fernando Henrique Cardoso. Afinal, na sua idade nunca é bom abusar do colesterol.
Guerra Fiscal é igual guerra da Otan: quem acaba sempre levando bomba na cabeça são os pobres e inocentes contribuintes civis.
1Muito esperta mesmo essa garota, a Adriane Galisteu. Sua ambição é ser a ‘‘nova Hebe Camargo’’. Mas já que seu sonho é substituir imortal, acho que o mais indicado seria entrar para a Academia Brasileira de Letras. Livro ela já escreveu um.
2A reclamação dos críticos musicais de que o CD de João Gilberto tem apenas 30 minutos mostra bem o nível da crítica em nossos jornais. É de pintar rodapé. Em uma audição atenta, o CD revela muito mais a ouvidos sofisticados. Como o cantor gosta de trabalhar com o silêncio, gravou apenas 30 minutos de música para o querido ouvinte se deliciar – após o término de seu bel canto – com pelo menos 20 minutos – dos 70 da média de um CD – escutando o silêncio.

Perguntar não ofende mesmo:
Esse governo está caro e não surte efeito. Não dá para lançar um genérico de FHC na praça?
Ganhar a vida com o suor do seu rosto. A menos que você seja senador ou deputado ganhando extraordinário, é claro.





O que é isso, cara-pálida?
Foi uma surpresa o pedido de desculpas do bipresidente Fernando Henrique Cardoso ao sertanista Orlando Villas-Bôas. Eu tinha pensado que sua demissão de um cargo comissionado na Fundação Nacional do Índio (Funai) fizesse parte do calendário da festança dos 500 anos de descobrimento do Brasil. Um evento via fax para dar mais brilho à festa dos cara-pálidas.
Está certo que seria um erro de marketing fazer a demissão assim, de supetão, sem avisar a imprensa – Villas-Bôas poderia dar uma entrevista coletiva nos jardins do Palácio do Planalto antes de recber o fax fatal. Senti também a falta de um comercial do governo enaltecendo o fato. A data também poderia ser melhorada; pensando melhor, o local também.
O lugar ideal seria aquele em que Cabral pisou primeiro, Porto Seguro, eu acho, se é que já se decidiram onde o Brasil começou. Foi na Bahia, garantem os baianos, mas não esclarecem se houve incentivos fiscais para os portugueses decidirem não aportar em Santos. No dia da comemoração – 21 de abril, desde o último comunicado – Villas-Bôas receberia das mãos do próprio presidente da República sua demissão, simbolizando com esse ato a política do governo para os índios brasileiros.
Outras razões para o fax fatal me vieram à cabeça. Este governo é uma esfinge ao contrário: vem com uma resposta e somos obrigados a nos encher de perguntas. Pois então, vamos a elas. Quem sabe um dia se encaixe alguma resposta.
Jota

RAZÕES PARA A DEMISSÃO
Uma homenagem aos velhinhos brasileiros, eternamente surrupiados em suas aposentadorias. Com 86 anos, o demitido Villas-Boas seria o símbolo ideal.
Um jeito de resolver o problema indígena, um problemão já que os danados teimam em não se encaixar na globalização. Na impossibilidade de apagar todos – quantos são ainda? – por fax, optou-se por uma terceira via tucana: demite-se com humilhação o branco mais respeitado por eles.
A criação de um fato novo – com repercussão internacional – do governo tucano. É um marketing ao estilo ‘‘do bode na sala’’. O bode é o fax da demissão; retirado o fax os tucanos mostram para o mundo como são amigos dos amigos dos índios.
A demissão do presidente da Funai. Essa tese é das mais aceitáveis: FHC desejava na verdade demitir Carlos Frederico Marés de Souza Filho, presidente da Funai, mas como é inseguro nessas coisas de mudanças na equipe, resolveu aprontar uma confusão com a demissão de Villa-Bôas e criar justificativas para a demissão de Marés.
Chamar a atenção para os problemas da Funai. Como a entidade teve seu orçamento reduzido em cerca de R$ 28 milhões em comparação com o ano passado e mesmo assim a imprensa não atentava para o problema, FHC houve por bem demitir o sertanista para que todos passássemos a discutir o assunto. Ou pelo menos déssemos boas risadas do orçamento atual: R$ 50 milhões.

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