Matando o trampo
Esse Congresso Nacional é mesmo extraordinário. Nossos representantes têm recebido um dinheiro a mais para votar várias leis que deixaram de votar em seu período normal de trabalho, mas mesmo assim não comparecem ao serviço. Parece extraordinário, mas eles não trabalham nem em período extraordinário.
E depois quem é chamado de inativo são os velhinhos que se esfalfaram a vida inteira para se aposentar com uma miséria. Mas vamos às soluções para este assunto tão momentoso: uns querem descontar as faltas dos gazeteiros, outros, mais radicais, buscá-los pela orelha para fazerem seu dever de casa. Mas já que não é possível optar pela solução norte-americana da pulseira eletrônica - aquela usada por pessoas que permanecem em liberdade provisória antes de irem a julgamento - trabalhemos para solucionar este drama do nosso legislativo.
Na impossibilidade de resolver por completo o problema, partamos para o jeito brasileiro, arranjando uma desculpa para o malfeito. Assim nossos parlamentares poderão seguir de cara meio limpa - totalmente limpa é mais difícil - em seu nobre trabalho de preservação de uma de nossas mais nobres instituições: o ganho extraordinário.
Vamos então a algumas desculpas úteis para escapar da labuta em Brasília.
Jota





1 Uma mártir, presa e humilhada com televisionamento para todo o Brasil, fez o óbvio ser percebido e o topless acabou sendo liberado nas praias do Rio de Janeiro. A banhista que tomava sol com os seios desnudos é a nova heroína nacional, nossa Joana Darc mal-passada. Merece homenagem.Este é um caso apropriado para um busto em praça pública. Sem sutiã, por favor.
2Agora espera-se das competentes autoridades do famoso balneário carioca a imediata proibição de estupros em filas de mães em busca de vagas nas escolas públicas.
3 É um problema danado as propagandas de Gustavo Kuerten não serem veiculadas lá fora. Mas já que é assim, alguém tem que avisar imediatamente os adversários do Guga que o negócio dele não é competir: ele só joga para ganhar.
4 Bem que eu tinha dito à vocês que o bipresidente estava inovando na relação com seus ministros. Agora, além da fritura, temos também o salto sem páraquedas.
5 Podem dizer o que quiserem de Élcio Álvares, mas o Brasil jamais terá ministro da Defesa tão operoso quanto ele. O homem se defendeu o tempo todo.

DESCULPE, ELEITOR
Estava tirando o pai da forca. Sim, da forca no Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica, essas instituições onde papai descolou uma nota preta, com juros bem camaradas.
Visitando a base eleitoral. Essa é manjada mas funciona, apesar de que muitos deputados ir em busca de sua base nas melhores praias e pousadas turísticas, sempre fora de seu domicílio eleitoral. Já teve caso de deputado de São Paulo ser visto repleto de sacolas de compras à procura de sua base eleitoral. Em Miami.
Participando de alguma comissão. Sim, não pôde ir votar porque estava no árduo labor de uma comissão importante daquela casa. E não dê uma de fracassomaníaco, perguntando de quanto é que é a comissão.
Servindo ao partido. Trabalhando na organização do partido e com isso colaborando para fortalecer nosso sistema democrático. É uma boa desculpa para faltar aos trabalhos na Câmara Federal. Só o trabalho de decorar o nome do novo partido - o terceiro em seis meses - já vale a ausência.
Ajudando o ACM a acabar com os pobres. E essa é uma atividade das mais árduas pois os pobres se defendem como podem.