Jota
O CRIADOR DE LOGOTIPOS
Vinicius de Moraes
Ari Barroso
Arthur Moreira Lima
Nelson Cavaquinho
Araci de Almeida
Compositor de sucesso, autor de memoráveis músicas de carnavais como Alá-la-ô e Formosa, Nássara também era um bamba na caricatura. Seu traço sintético criava verdadeiros logotipos das pessoas
A melhor definição do trabalho do desenhista Nássara é do cartunista Jaguar. O criador do Pasquim disse que Nássara faz logotipos das pessoas E é isso mesmo que ele criava com seu traço econômico. Em suas caricaturas as fisionomias são definidas em poucas linhas. Lembra um clichê, da época em que a imprensa era feita em linotipo: traços fortes e muita síntese na disposição das figuras no espaço das páginas.
Nássara nasceu em 1910 em Vila Isabel, e não vacilou em abraçar o samba. Foi com a música que se tornou mais conhecido. Em 1933 ganhou o carnaval com Formosa, gravada pela dupla Mário Reis e Francisco Alves. Em 41 lançou seu maior êxito, Alá-la-ô. É cantada até hoje nos bailes de carnaval. Na década de 40 teve início uma surdez que interrompeu sua careira musical e se agravou ao ponto de nos últimos anos de vida só conseguir se comunicar anotando as palavras em um bloco de papel.
O desenhista superava essa deficiência com bom humor. No início da década de 80, ainda com alguma capacidade auditiva, revelou para mim e o cartunista Fortuna, no Salão de Humor de Piracicaba, que a surdez servia como um eficiente artifício para escapar dos chatos. Quando o papo não lhe interessava, bastava fingir que não ouvia nada. Naqueles anos, Nássara vivia dias de glória e era muito assediado desde sua redescoberta pelo cartunista Jaguar.
Desenhando desde o fim da década de 20, Nássara passou por todas as publicações do então Distrito Federal: O Globo, A Crítica, A Manhã, A Esquerda, Carioca, Vamos Ler, Diretrizes, A Noite, Para todos, O Cruzeiro, Última Hora e Flan. Sempre foi um desenhista de prestígio, ao lado de J.Carlos, Augusto Rodrigues e outros mestres da caricatura brasileira. Mas, de repente, uma dessas coisas que só acontece no Brasil, parou de publicar na imprensa. Sumiu de um jeito que as pessoas até pensavam que ele havia morrido.
Esquecido por mais de uma década, foi redescoberto por Jaguar em 1974 em uma das famosas entrevistas do Pasquim. Passou então a publicar fantásticos desenhos no semanário carioca. Fazia também belíssimas capas de discos, até sua morte em dezembro do ano passado.
Era venerado pela nova geração de desenhistas. Um deles, Cássio Loredano, editou o livro Nássara Desenhista. É um belo trabalho de pesquisa da obra do caricaturista, com um estudo muito bem feito da ilustração na imprensa brasileira. Loredano, excelente desenhista, é um dos mais entusiasmados pela obra de Nássara que, para ele, é o mais original de nossa imprensa até hoje. Assino embaixo.
Jota
PING-PONG
Jornalista e tucano num dos salões de Brasília. O uísque escorre generoso e a conversa corre solta.
Jornalista: Viu a denúncia contra o PT?
Tucano: Claro, um dos maiores absurdos. Isso denigre a vida política brasileira. Cabe bem uma CPI aí.
Jornalista: E o Maluf em São Paulo, heim? Os precatórios parece que estão pegando...
Tucano: É verdade. Acho que a CPI dos precatórios tem que ir fundo nesta questão. Chegar nos corruptores. Para isso vale até prorrogação do prazo.
Jornalista: E uma CPI para investigar a compra de votos na reeleição, o senhor é a favor?
Tucano: Olha, sou a favor da prorrogação da CPI dos Precatórios e da instalação de uma CPI do PT, mas uma CPI da Reeleição pode atrapalhar os trabalhos do Congresso Nacional.
Os dois caem na gargalhada. Então o jornalista fala para o tucano: Bom, então vamos gravar agora. Está pronto? E gravam a entrevista. Mas a conversa que vai para o ar é outra, meu caro telespectador.





