Jota
Cuidado, cinema norte-americano!
A mídia brasileira televisão principalmente é fã do cinema norte-americano e não faz nenhuma questão de colocar em seu devido lugar aquilo que a indústria de Hollywood enfia goela abaixo do pobre público brasileiro. Os defeitos são vistos com olhos cúmplices, poucas vezes são observados.
Lembro bem que o ator Brad Pitt provocou risos em Veneza, neste mês de setembro, com sua interpretação em um filme apresentado no conhecido e respeitado festival de cinema daquela cidade. E o filme não era de humor. Pitt fez os críticos rirem é de sua má interpretação em Fight Club, dirigido por David Fincher e aqui intitulado Clube de Luta coisas da tradução dos nomes de filmes norte-americanos no Brasil; por que não Turma da Porrada?
O filme iria passar em branco se um sujeito enlouquecido não tivesse tido a má idéia de imitar um dos personagens e passar fogo na platéia com uma metralhadora. Só por se identificar com Brad Pitt o rapaz deveria estar sob o controle de uma junta médica há muito tempo. Não é caso para camisa-de-força imediata, mas requer cuidados.A única exceção no caso bradpittiano é para o público feminino, especialmente adolescentes, quando a libido brota forte; aí Freud, Jung e, talvez mais apropriadamente, Reich, explicam.
Não vi e não gostei de Clube da luta por que não Os Manos Que Pegam Duro?. Há muito que risquei da minha agenda o cinema norte-americano feito com sangue, trombada de automóveis e mocinhos salvando o planeta Terra da destruição total ou da invasão de seres vindos do espaço. Não contem comigo para aplaudir. E se você ver um tipo como Bruce Willys aos tapas com um marciano, pode crer que o marciano é que está certo.
Por obrigação profissional vi o filme anterior de David Fincher, Seven, que pode ser catalogado na categoria de escatologia sanguinária cinematográfica. O mesmo Pitt muito engraçado, apesar de também não ser um filme de humor às voltas com um assassino que comete crimes em série. O velho clichê da dupla de policiais, o novato e o veterano, se estranhando no início do filme para logo se entenderem como pai e filho.
Tudo pretexto para Fincher mostrar cenas abjetas, dentro de sua linha de escatologia cinematográfica, algo do tipo nouveau vômito. Segundo o que li, Clube da Luta por que não Rapaziada da Muqueta? vai na mesma linha; em uma das cenas um homem é esmurrado até seu rosto se tornar uma massa disforme. Noutra ensinam a fabricar uma bomba. Muito instrutivo. Em Seven só para citar um exemplo , um homem que foi torturado durante dias e que teve inclusive uma das mãos decepada é uma das figuras apresentadas por Fincher (diretor que veio da publicidade) em seu circo de horrores. Imaginem as outras cenas.
O enredo de Seven tem aquele ar de inteligência yuppie (a cultura que gerou Pitt e Fincher) comum a vários filmes norte-americanos e gira em torno dos sete pecados capitais. O pecado final arrá! é a ira, que o assassino deseja forçar no personagem de Brad Pitt. Para isso, envia a cabeça da mulher do policial em uma caixa. Com um recurso eficiente como esse ele fica uma fera, é claro.
Contei o final do filme, mas algo como Seven vale tudo. E se houver algum tarado na platéia, ficará menos tentado a assistir ao filme. Depois dos tiros no Morumbishopping, durante a projeção de Clube da Luta porque não Rapaziada da Bifa na Orelha críticos de vários jornais brasileiros lembraram Seven e todos (isso, todos) acham o filme excelente. É uma rapaziada que já entra em filme nacional para ver os defeitos mas em Seven nenhum deles atentou para a violência gratuita presente em quase todas as cenas.
O problema será comigo? Pode ser, mas garanto que a questão não é de estômago, pois o meu é tratado com cenas fortes há pelo menos trinta anos. Deve ser diferença de caráter mesmo.
Jota
LEMBRA QUE UMA DAS MÃOS DO CANDIDATO FHC, JÁ NA PRIMEIRA ELEIÇÃO, PROMETIA SEGURANÇA?
1 Todos perguntam qual é o aviso dos tiros no cinema durante a projeção de Clube da Luta. Bom, o principal aviso é que é bom ficar atento - e pronto para se jogar ao chão - quando se lida com a irresponsabilidade dos norte-americanos na área cultural. Para ouvir o tilintar do caixa vale tudo, Em qualquer área da cultura, especialmente no caso do cinema, o único critério é a bilheteria.
Para ganhar dinheiro, Holywood é capaz de produzir até comédias românticas. O que pode afetar pessoas influenciáveis, mas neste caso como efeito colateral haverá no máximo uma chateação.
2 Em se tratando de assassinatos, esquartejamentos de corpos, atentados, trombadas de automóveis, a coisa fica mais chata. Para se prevenir só tem um jeito: assistir mais os Fellinis, Bergmans, Rosselinis e Kieslowskis da vida. Kurosawas e - para não dizerem que sou antiamericano - Woody Allen também.Um cinema com mais qualidades humanas e artísticas e que não explora com sensacionalismo as tragédias do ser humano.
3 Você correrá muito menos risco de encontrar numa sala que exibe este tipo de filme um sujeito com problemas psicológicos e uma metralhadora na mão. E, melhor ainda, não haverá risco nenhum de você ser este sujeito.
4 Interessante o ministro da Justiça José Carlos Dias e seu assombro com a criminalidade no país. Onde é que o bipresidente Fernando Henrique Cardoso foi buscá-lo para o cargo? Suécia, Suiça e Dinamarca são os meus palpites.





