Jota
Roubaram o Brasil de novo!
Ainda não foi dessa vez, mas a gente chega lá. O Brasil está no 45º lugar no índice de corrupção medido pela ONG (organização não-governamental) Transparência Internacional. A ONG vem fazendo essa pesquisa desde 1995 e, apesar do esforço de juízes, policiais, deputados e prefeitos de todo o país, o Brasil está caindo no ranking, ano após ano.
A contagem de pontos é feita através do IPC (Índice de Percepção da Corrupção) e quanto maior o IPC, menor a corrupção no país avaliado. O Brasil tinha 2,7 pontos em 95 e hoje estamos com 4,1 pontos. E não é porque amarelamos: todos somos testemunhas do esforço brasileiro de 95 para cá - especialmente dos políticos - para o país brilhar na modalidade corrupção. Pelo menos o nosso crime é muito bem organizado.
É uma vergonha, torcida brasileira. Estamos perdendo para o Chile, Namíbia, Costa Rica, Malásia e Peru, só para citar alguns cabeças-de-bagre da corrupção. Mas conseguimos ficar à frente do México e - Brasil, sil, sil! -, mostrando a raça da nossa camisa, vencemos nossa arquiinimiga Argentina. Não houve Maradona do afano da coisa pública para levar essa da gente.
Mas a torcida brasileira pode ficar sossegada pois se não fizemos bonito este ano foi porque - não se pode mesmo confiar em ninguém, muito menos em campeonato de corrupção - fomos roubados escandalosamente. O levantamento foi feito antes do escândalos da Câmara Municipal de São Paulo, o que prejudicou seriamente o escrete canarinho da mão leve. Nada me convence que não foi proposital.
David Fleischer, presidente da TCC-Brasil (Transparência, Consciência e Cidadania), entidade ligada à Transparência Internacional, levantou a nossa bola dizendo que se não fosse este fato - que para mim foi armação contra as nossas cores, vamos para o tapetão - o Brasil faria mais bonito em matéria de corrupção.
Essa competição é uma roubada. Países como Camarões, Indonésia e Nigéria vem vencendo há anos, quando todos sabem que, comparados a nós, são uns pernas-de-pau em matéria de malversação do dinheiro público. Um país como o Brasil, que produziu um PC Farias e que tem tradição no setor - assegurada pela bela história de um Adhemar de Barros e de um Collor de Mello - não pode deixar barato (e sem comissão) uma humilhação internacional desse porte.
Além do absurdo de perdermos preciosos pontos com a não inclusão da farra fantástica na Câmara Municipal de São Paulo acho que também fomos prejudicados pela nossa falta de organização. Apesar de aqui o crime ser organizado, temos pouca capacidade para aferir melhor os números da corrupção. O pessoal esconde muito: timidez ou modéstia, evidentemente. Apesar do vasto mar (de lama, óbvio) temos dificuldade em obter informações fidedignas sobre corrupção em cidades menores e até de escalões superiores do executivo, do judiciário e do legislativo. O pessoal joga um bolão em matéria e corrupção, mas ninguém vive de salto alto. Por isso, faz falta uma organização nacional para averiguar com mais zelo - caixinha, obrigado - as perfomances brasileiras.
Proponho a criação de uma entidade no gênero, com competência no assunto - de competição, não me venham com acusações gratuitas - uma CBF do ramo da corrupção. Neste caso pode ser Confederação Brasileira da Falcatrua; e fica CBF mesmo, pois a marca já tem (como dizem os marqueteiros) recall.
Pra frente, Brasil! Ou melhor: Avança, Brasil! Esse ano ficamos para trás, mas do ano 2000 não passa.
Jota
1 A candidatura temporã de Ciro Gomes, do PPS - o moço é um neo-socialista, aliás, é neo-qualquer-coisa-que-dê-ganho-político - está deixando a esquerda de cabelos em pé. O neo-emergente político Ciro Gomes é um Collor careca; entusiasma a classe-média e a direita ao mesmo tempo, suportes fundamentais para se ganhar uma eleição por aqui.
Setores mais radicais já pensam em lançar o slogan Fora Ciro, Fica Patrícia Pillar.
2 Mas candidatura três anos antes da eleição é difícil de agüentar. O neo-palestrante Ciro Gomes fala tanto e anda tão exposto na mídia que já tem gente dizendo que não está gostando nada dele como presidente. Isso pode acabar como casamento depois de noivado longo. Quando chegar a hora do vamos ver, já vai estar chato.
3 Mas o neo-esquerdista Ciro Gomes ainda não foi eleito e já está quebrando promessas. Ele se declarou contra a monogamia em uma entrevista à revista Marie Claire. Foi a idéia que mais chamou atenção para o candidato e a mais substancial até agora. Pois é: Ciro declarou-se contra a monogamia e casou com a Patrícia Pillar.
4 O governador Garotinho com problemas existenciais. Não posso viver esse dilema entre um PT que me ama e outro que me odeia. Isso é um dilema freudiano., disse em meio à crise com o PT - partido aliado que o governador chama de PB, Partido da Boquinha.
É Freud. Para não agravar a crise já tem carioca fazendo cordão de segurança para a Adriane Galisteu não se aproximar do governador.
5 Espero que as donas-de-casa, influenciadas pela apresentadora Ana Maria Braga, não tenham passado a comer embaixo da mesa. A instituição do casamento já tem problemas suficientes para ter de suportar mais essa.





