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MÚSICA SEVERINA
João Cabral de Melo Neto dizia não gostar de música, coisa que para ele era ‘‘barulho organizado’’. A um poeta grandioso como ele era perdoa-se até um comentário desse tipo. Assim como perdoamos sua entrada para a Academia Brasileira de Letras, confraria política de literatos medíocres em sua maioria.
Para se ter uma idéia do nível da casa, a cadeira de João Cabral de Melo Neto era antes ocupada por Assis Chateaubriand. E como é praxe ser feito um discurso em homeagem ao ocupante anterior da vaga, o poeta tem em sua obra um elogio à Assis Chateaubrtiand. É a parte verdadeiramente ‘‘severina’’ de sua obra, pela pobreza artística do homenageado.
Como achava que ‘‘música é barulho organizado’’, certamente o poeta não ouvia o que se toca por aí. Se escutasse a MPB atual não diria algo assim. A música que andam tocando atualmente é barulho sim, mas desorganizado.
Jogando com a má sorte
Se fosse planejado por um marqueteiro não sairia melhor. O concurso da Mega Sena acumulada distraiu com eficácia os brasileiros. Até o bipresidente Fernando Henrique Cardoso – que anda com impopularidade acumulada – teve uns dias de descanso. Foi para Ibiúna, sua Mombaça, onde até lhe pedem autógrafos.
Eu disse ‘‘se fosse planejado’’, mas neste sorteio até o desfecho parece planejado; é de deixar oposicionista paranóico. O prêmio saiu para a terra do senador Antonio Carlos Magalhães – onde ele é conhecido como ‘‘Toninho Malvadeza’’ –, fato que bem trabalhado pode até lhe dar uma fama de pé-quente. E ele deve estar trabalhando para isso, com certeza.
Mas o ‘‘efeito Mega Sena’’ é de criar minhocas na cabeça dos marqueteiros do governo, atarefadíssimos para fazer o Brasil avançar sem necessidade de trabalhar muito lá por aqueles palácios de Brasília.
O governo FHC ainda vai acabar sendo conhecido como o governo do frango, do iogurte e da Mega Sena acumulada. A impopularidade do bipresidente FHC precisa mesmo de soluções fortes como essa. A expectativa de se tornar milionário em um golpe de sorte é capaz de milagres: a histeria que cerca o prêmio acumulado faz com que as pessoas esqueçam o governo, seu presidente e também o que ele escreveu.
Mas existem vários modos de fazer o povo cair na jogatina. Criando umas modalidades simples de jogos, os marqueteiros tucanos poderiam fazer seu serviço sem ter de apelar para a solução de sempre, que é jogar ministro para bater papo em sofá de programa de TV.
Criamos algumas sugestões – nós, que estamos sempre provando que não somos ‘‘fracassomaníacos – para o uso dos marqueteiros do poder. Vamos ao jogo, senhores.
Jota
FÉZINHAS
Bingo da Fritura Joga-se como um bingo tradicional. Cada ministro é representado por um número – para ‘‘cantar’’ o bingo podem se revezar representantes dos partidos da base do governo. O número do ministro que completar o jogo é o ‘‘fritado’’. É uma boa solução para a conhecida dificuldade de FHC em dispensar colaboradores. Basta chamar o ministro premiado e ‘‘bingo’’!
Teimosinha do Planalto Jogo interessante onde as idéias que não dão certo no país é que são usadas como aposta. É perfeito para distrair a atenção, afinal são tantos os projetos governamentais fracassados que o prêmio tende a se acumular por meses. Basta fazer o xis em uma cartela com uma série de idéias fantásticas do governo. O ‘‘PPA’’, lançado há pouco, já está no jogo.
Quina do Escândalo O apostador deve acertar cinco escândalos que vão estourar no governo. Casos o ministro da Defesa ter de se defender de acusações de estar envolvido com atividades criminosas, esses fatos corriqueiros do país. Escândalos antigos – dos ‘‘grampos’’ nos telefones, por exemplo – também farão parte deste escandaloso jogo.
Loteria Sem Esportiva Quem perderá a esportiva em meio à batalha por cargos – sempre para trabalhar pelo Brasil, é claro – no governo? Sorteio semanal com uma infinidade de gente sem esportiva: Jáder Barbalho, ACM, Temer e José Serra são sempre bem cotados. Também há umas boas zebras no páreo.
Mega Venda Qual empresa estatal brasileira vai ser passada nos cobres para pagar os juros da dívida? Grandes ganhos – para o apostador e para os grupos estrangeiros. Na venda da Petrobrás a preço de banana, a grana acumula.
Sena do Problema Um bom jogo para o aniversário – seis anos! – dos governos tucanos. Depois de cinco anos os tucanos descobrem vários problemas: as queimadas, a falta de ferrovias, a burocracia; qual será o próximo? Neste mês, por exemplo, o MEC decidiu que vai tentar descobrir quantos cursos profissionalizantes existem no país. Em São Paulo, Mário Covas levou cinco anos para descobrir que a Febem é um problema. E talvez daqui uns seis meses descubra que a Polícia Militar é outro. Façam suas apostas sem problemas!
Votomania Jogo para todos os eleitores. Os senhores entram em uma cabina eletrônica e decidem em quem vão votar. Jogão, está acumulado. Há anos que ninguém acerta.
AFORISMA BEM ATUAL
Nunca deixe para amanhã o que você pode resolver muito bem no mês que vem.
Essa moças que fazem sucesso na música popular desvirtuaram completamente o sentido da frase ‘‘ganhar o pão com o suor do próprio rosto’’.
O Brasil não foi descoberto. Foi inventado.

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