Jota
Clinton critica pobreza
WASHINGTON - Na reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, inaugurada ontem, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, defenderá hoje a diminuição da dívida como um instrumento eficaz no combate à pobreza em todo o mundo. O anúncio foi feito pelo porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart.
O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, falou ontem como se fosse o presidente do Banco Mundial, ao dizer que há duas tarefas de emergência para o mundo: a reforma do sistema financeiro internacional e a ofensiva para erradicar a pobreza e humanizar a globalização.
Por muitos anos programas apoiados pelo FMI têm incluído elementos sociais, disse Camdessus. Muitos dos países que tiveram programas de educação e saúde com o Fundo têm aumentado suas rendas per capita em termos reais. Muitos economistas discordam. Segundo eles, o discurso de Camdessus é uma reação às duras críticas que a instituição tem recebido nos últimos meses. As políticas de ajuste fiscal, em nome da estabilidade financeira, tem provocado a redução do crescimento econômico e altas taxas de desemprego no países que seguem o receituário do FMI.
Camdessus prosseguiu com seu discurso. A hora chegou para um início mais decisivo. A principal responsabilidade para o alívio da pobreza cabe a cada governo. Mas existe um acordo sobre um projeto que dará o alívio da dívida aos países mais pobres que implementarem boas políticas e investirem no desenvolvimento humano. O Fundo está bem equipado para dar um novo impulso à luta contra a pobreza.
Indicado para cumprir mais um mandato de cinco anos, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, disse em seu discurso que a crise financeira em todo o mundo continua provocando uma série de distorções. Para milhões de pessoas a crise ainda existe. O desafio está apenas começando, destacou.
Enquanto ministros das finanças e o FMI discutem a importância da reforma do sistema financeiro para evitar crises futuras, Wolfensohn voltou a bater num de seus temas favoritos: o desenvolvimento com justiça social. Queremos uma nova arquitetura para o desenvolvimento, com regras universalmente justas para incrementar avanços no comércio, na informatização, e no direito de saúde para todos. O mundo preciso ser mais democrático e menos corrupto, acentuou.
[29 de setembro - ACM aplaude FMI e brinca com Malan -LUCIANA JULIÃO
BRASÍLIA - O presidente do Senado, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), aproveitou a defesa dos programas mundiais de erradicação da pobreza feita pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, para mais uma vez alfinetar o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Quando o Camdessus acerta, o Malan fica contra, afirmou o senador.
Na terça-feira, Camdessus afirmou que é preciso ouvir o grito dos pobres, pois o custo humano das crises econômicas enfrentadas no ano passado pelos países em desenvolvimento foi imenso e serão necessários alguns anos para se curar as feridas.O grito dos pobres dá uma manchete maravilhosa, não?, perguntou o senador, irônico.
Para ACM, o FMI deveria voltar sua política para os programas de erradicação da pobreza. A conscientização (do Fundo) veio tarde. A situação no Brasil e no mundo seria outra se a concepção fosse essa há mais tempo, mas nunca é tarde para se procurar os bons caminhos para solucionar os problemas do país, que são universais.
Bandeira - Bem humorado, o senador lembrou que foi ele o primeiro a levantar o tema: Coincidência ou não, tudo isso só está acontecendo porque ACM cuidou do assunto. É ou não é?, disse. A bandeira da erradicação da pobreza foi levantada por Antonio Carlos Magalhães em julho passado, quando ele propôs a criação de uma comissão parlamentar para estudar as causas da miséria no país e propor soluções.
As críticas à falta de preocupação do ministro da Fazenda com o tema também vêm da mesma época. Quando a comissão estava sendo criada, ACM chegou a afirmar que Malan nunca havia recebido um pobre em seu gabinete. Atualmente, a comissão mista, que tem de encerrar seus trabalhos até o dia 10 de novembro, está ouvindo os responsáveis por programas de combate à pobreza. Hoje, será a vez de Dom Mauro Morelli, presidente do Fórum Nacional de Segurança Alimentar.
[30 de setembro - Clinton perdoa dívida dos pobres - Estados Unidos desistem de cobrar US$ 970 milhões de - 40 países com renda per capita inferior a US$ 1.000 anuais
FLAVIA SEKLES
Correspondente
WASHINGTON - Num gesto que, segundo ele, deveria servir de exemplo a outros países ricos, o Presidente Bill Clinton anunciou ontem que vai perdoar a dívida que os países mais pobres do planeta - aqueles que têm renda per capita inferior a US$ 1 mil (R$ 1.939) por ano (cerca de 40 países no mundo inteiro) - têm com os Estados Unidos. Em discurso na assembléia da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, Clinton disse que enviou na semana passada para o Congresso uma emenda orçamentária pedindo US$ 970 milhões (R$ 1,88 bilhões) ao longo de quatro anos para financiar o perdão da dívida.
Passo além - A proposta do presidente americano é um passo além do acordo firmado essa semana em Washington entre países do mundo inteiro para a redução da dívida de países candidatos ao programa, chamado Highly Indebted Poor Countries (Países Pobres Altamente Individados - HIPC). Os países industrializados do Grupo dos Sete já havia concordado em perdoar 90% da dívida desses países. Clinton ontem aumentou o compromisso dos EUApara um perdão de 100%. Segundo o presidente, o programa de redução da dívida deve benefiar 430 milhões de pessoas no mundo. Na América do Sul, Bolívia e Equador são candidatos. Em alguns casos, os países candidatos ao HIPC gastam mais de 30% de seus recursos no pagamento de dívidas.
O programa de redução de dívida vem sendo discutido há dois anos pela comunidade financeira internacional, e essa semana em Washington foi fechado um pacote de financiamento para o projeto - com o apoio de 24 dos países mais ricos membros do FMI, inclusive o Brasil -, no valor de US$ 27,4 bilhões (R$ 53,14 bilhões). O valor dívida dos países pobres, candidatos à ajuda, com os EUA é de US$ 5,7 bilhões (R$ 11 bilhões), e o valor de mercado é inferior a US$ 1 milhão (R$ 1,93 milhão).
Projeto social - Dívidas insustentáveis estão mantendo muitos países na pobreza, disse Clinton. A iniciativa para a redução da dívida dos pobres é parte de uma campanha de organizações não governamentais que lutam contra a miséria, do Banco Mundial, economistas e até o Papa, que defende o perdão como um presente para o novo milênio.
O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers, admitiu que o compromisso dos EUA para perdoar a dívida tem um significado mais simbólico do que como benefício econômico aos países atingidos. A dívida desses países com a França e o Japão é muito maior. Segundo o projeto HIPC, os países candidatos ao perdão têm que aceitar metas de investimento no setor social e de bom comportamento fiscal ditadas pelo Banco Mundial e FMI.
Para os países que não são candidatos ao HIPC, mas cujas economias foram devastadas pela crise financeira que deixou altas taxas de desemprego e outros tipos de prejuízos relacionados a desvalorização de moedas e quedas nas taxas de crescimento, Clinton disse que apesar de perspectivas melhores, esse periodo só pode ser visto como um desafio que continua.
Equador - O Banco Mundial informou ontem que considera o pacote de ajuda econômica ao Equador como parte de uam assistência internacional. Segundo nota da instituição, o Banco Mundial assinalou seu compromisso de ajuda ao país, que passa por um momento de pressão econômica e financeira, mas ressaltou que sua assistência estará condicionada à assinatura de uma carta de intenções com o Fundo Monetário Internacional.
O governo equatoriano assegurou que a carta de intenções deverá ser assinada nos próximos dias e que as negociações com o Fundo estão em um está bastante avançado. Fontes do FMI, no entanto, não quiseram comentar o andamento das negociações. Na carta, Equador deve se comprometer a realizar um duro ajuste fiscal, que terá que ser aprovado pelo Congresso.
O Banco Mundial disse, em seu comunicado, que espera que o Equador realize negociações construtivas e rápidas com seus credores. O acordo acalmaria os mercados financeiros e permitiria ao Equador ajustar suas políticas econômicas para fazer frente à crise.
Programas sociais usam 20% do PIB
WASHINGTON - A equipe econômica que representa o Brasil na Reunião Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) buscou ontem esclarecer sua posição sobre o grande tema do dia, a redução da pobreza e o papel que o FMI, organização responsável pela estabilidade financeira, deve ter na batalha. Um dia depois que o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, no maior golpe de relações públicas do ano, falou sobre a necessidade de humanizar a globalização, numa tentativa de tentar provar que o FMI também tem consciência, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que ele também não discorda, como ninguém discordaria, que reduzir a pobreza deve ser meta de todo mundo.
Mas, enquanto existe um consenso cada vez maior sobre a necessidade de preservação de despesas sociais no contexto de programas de ajuste fiscal apoiados pelo Fundo, ainda há grandes divergências sobre qual deve ser o papel do Fundo na divisão de trabalho com o Banco Mundial, organização cuja missão é a eliminação da pobreza no mundo. Também há divergências sobre como integrar políticas sociais nas estratégias de desenvolvimento dos países, se através do estabelecimento de metas quantitativas para alguns tipos de despesas, ou se através de um enfoque maior na qualidade em vez de na quantidade das despesas.
Malan, criticado ontem pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) devido à posição que tomou nos últimos dias ao argumentar que o FMI não deve incluir metas sociais em seus programas, tentou se explicar. Ele disse que a redução da pobreza é uma batalha de longo prazo, enquanto programas de estabilização financeira, domínio do FMI, têm que ser batalhas rápidas. Malan disse que não tem nada contra qualquer palavra dita nos discursos de Michel Camdessus ou de James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial, sobre a necessidade de se reduzir a pobreza. Mas o problema é quando se discute operacionalmente na prática, no dia-a-dia de seu funcionamento, se certas coisas vão funcionar.
Na questão dos países mais pobres - cerca de 40 que têm renda per capita inferior a US$ 1.000 (R$ 1.939) anuais, para os quais a reunião que termina hoje chegou a uma solução de perdão de dívidas - Malan disse que o vínculo entre políticas macroeconômicas e sociais ficou bem estabelecido. As dívidas só serão perdoadas se houver estratégia contra a pobreza, endossada pelas instituições responsáveis pelo assunto. Sobre isso, disse Malan, não há divergência.
Onde há discussão é se o FMI, ao elaborar o seu programa stand-by de um ano ou um ano e meio - deve ter entre as suas metas indicativas e critérios de desempenho ficais e econômicos, metas indicativas e critérios de desempenho da área social. Para fazer isso, disse Malan, o Fundo teria que se transformar numa instituição diferente.
Malan também afirmou que o Brasil, que já gasta 20% de seu Produto Interno Bruto em programas sociais, não é o tipo de país que Camdessus e Wolfensohn falavam em seu discurso sobre a necessidade de reduzir a miséria. Nós não temos qualquer razão para ficarmos na defensiva, disse ele. Essa discussão não diz respeito ao Brasil. Segundo o ministro, o Brasil não tem do que se envergonhar do que vem fazendo porque vem mostrando resultados na área social e o Fundo e o Banco Mundial sabem disso. As partes mais comoventes dos discursos do Wolfensohn e do Camdessus dizem respeito a países que vivem em estado trágico, o que não quer dizer que não tenhamos problemas trágicos. Os problemas de pobreza do Brasil, disse, estão ao nosso alcance resolver, não com programas de um ou dois anos. O Brasil, lembrou Malan, é signatário da Convenção de Copenhagen para a redução das formas de pobreza extrema, que visa uma diminuição pela metade da pobreza até 2015 e, segundo ele, isso nós vamos cumprir.
[30 de setembro
O desabafo do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI, Michel Camdessus, quando declarou sua opção pelos pobres, foi comovente. Camdessus disse que é preciso ouvir o grito dos pobres.
Não deve ser difícil para o FMI ouvir tal grito, pois eles mesmos é que estão pisando no pescoço das populações do países pobres. Vai ser duro o pessoal do Fundo ter que aderir às manifestações de rua contra... o FMI.
Mas a revelação de que no peito de um banqueiro do FMI também bate um coração franciscano pode render pelo menos um convite ao FMI, da parte do PT, o partido da estrela solitária.
O PT devia convidar o FMI para falar sobre a pobreza no seminário promovido pelo partido. O Fundo pode participar da mesa junto com outro especialista em pobreza, o senador ACM, já convidado pelo Lula.
VIRTUAL VIRTUOSO
A grande novidade do momento são os guardas virtuais. São aqueles bonecos que ficam parados, mas vigilantes aos amigos do alheio. A idéia conta com o meu apoio. Menos pela eficácia no combate aos criminosos e mais pela menor grau de efeitos colaterais em seu poder de polícia.
Dificilmente veremos um guarda virtual envolvido com o tráfico de drogas, quadrilhas de assaltantes ou com grupos de extermínios.
Gostei de ver: com poucos meses no Ministério da Defesa, Élcio Álvares já mostra serviço: o ministro da Defesa defende-se com garbo da acusação de envolvimento com o crime organizado.
É fácil para São Paulo protestar contra a intenção do presidente impichado Fernando Collor de ser candidato à prefeito da cidade. Basta lançar Paulo Maluf para prefeito de Maceió.
Avança, Mega Sena!
Já disse que os fracassomaníacos nunca tiveram razão quando dizem que os brasileiros perderam a esperança. O sorteio da Mega Sena está aí para comprovar como o brasileiro ainda acredita em alguma coisa.
O sorteio dos 60 milhões da Mega Sena acumulada mexeu com a cabeça dos brasileiros. É uma verdadeira febre nacional. Dizem até que uma das determinações do bipresidente Fernando Henrique Cardoso em uma recente reunião ministerial é de que as pesquisas de opinião sobre sua popularidade sejam feitas nas filas das casas lotéricas.
Se rico ri à tôa, o humor de quem está na disputa por uma fortuna dá uma leve oscilada para cima. Pelo menos até o momento do sorteio e a fatal decepção de milhões de perdedores. Mas neste caso pesou bastante a sensibilidade social do governo tucano: o sorteio foi adiado para domingo à noite. Assim todos os brasileiros passam um final de semana feliz até a decepção no domingo.
Mas até lá não custa nada cuidar dos planejamentos para o uso da grana acumulada. Todo mundo tem um plano para a bolada da Mega Sena. E não é diferente com algumas personalidades brasileiras, como acabamos de checar e passamos para nossos leitores com exclusividade.
Jota
Adriane Galisteu Comprar uma agência publicitária com um marido dentro.
Armínio Fraga Investir tudo. Fora de Minas Gerais, é claro.
Carla Perez Comprar o É o Tchan e contratar uma dançarina nova.
Jô Soares Dar tudo para o cara mais inteligente e espirituoso que já apareceu no meu programa: eu.
Jaguar Comprar a cadeira do Dias Gomes na Academia Brasileira de Letras para que Roberto Campos não sente nela.
Benedito Ruy Barbosa Contratar um diretor melhor para sua novela Terra Nostra.
Luciano Huck Comprar a Tiazinha da Bandeirantes.
Caetano Veloso Contratar o compositor só para fazer músicas para ele. Sózinho, é claro.
Xuxa Fazer uma pequena festa para a Sasha. O prêmio talvez seja suficiente.
A notícia de que o escritor Carlos Heitor Cony terá uma participação no programa de Ana Maria Braga na TV Globo é mesmo de deixar a gente intrigado. Qual será o papel de Cony, opositor feroz do governo FHC e do neoliberalismo, no programa da loura com luvinhas de Michael Jackson?
Ministrará aulas diárias sobre e perversidade do modelo econômico? Ou tecerá considerações variadas sobre as denúncias que perseguem os tucanos no poder? Enfim, de que modo Cony usará no programa a conhecida capacidade crítica que tanta fama lhe granjeou na imprensa?
Vamos à algumas possibilidade de atuação de Carlos Heitor Cony na mais nova velha atração da Globo.
1 Experimentará os pratos, servidos na boquinha por Ana Maria Braga. Enquanto mastiga com murmúrios de aprovação, lasca o porrete no regime de fome a que FHC submete os brasileiros.
2 Junto com o Louro José passará todo o programa contando piadas para a apresentadora sobre o ministro José Serra e a carranca de Malan e lembrando suas tardes na redação da revista Manchete.
3 No sofazão ajudará a apresentadora a fazer sala para os convidados Salgadinho, Szafir, Xuxa, esse tipo de gente. Para animar a conversa lançará farpas contra o consenso de Washington e críticas ao FMI. No entremeio, elogios à chuca-chuca da Sasha.





