Jota
No início deste ano completou 20 anos desde o fim do jornal Opinião. Semanário combativo, foi criado pelo empresário Fernando Gasparian em novembro de 1972.Nos primeiros três anos de existência, seu editor foi o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira. Opinião foi importante na projeção do nome de um colaborador, o então apenas sociólogo Fernando Henrique Cardoso. De oposição ao regime militar (1964-1985), o jornal esteve mantido sob censura prévia até a última edição, publicada em abril de 1977.
O editor de arte do jornal era Elifas Andreato. que vinha de uma bem sucedida experiência na editora Abril, editando a coleção História da Música Popular Brasileira, de grande repercussão na década de 70. A idéia de Elifas era fazer do jornal Opinião uma publicação ilustrada apenas com desenhos. Numa época em que os grandes jornais estavam praticamente fechados ao desenho de crítica política o Opinião, ao lado do Pasquim, tornou-se publicação fundamental onde se juntava o melhor do desenho brasileiro. O núcleo inicial de desenhistas era Elifas, Cássio Loredano e Luís Trimano, argentino que chegara quatro anos antes ao Brasil em plena ebulição da crise política de 1968.
No Opinião, Trimano marcou definitivamente sua presença em nossa imprensa. Seu desenho repleto de minúcias, com um modo singular de deformar a face das pessoas, traçou um novo rumo para a caricatura brasileira. Trimano chegou a este conteúdo gráfico inovador com consciência. Sua idéia era unir as artes plásticas às artes gráficas e sondar a alma das pessoas. Fazer caricatura com o rosto tal qual ele é não me interessa, qualquer fotografia serve. O importante é devolver ao papel as impressões que ficaram do retratado e aquilo que eu penso dele
Jota
Acima, caricatura de Filinto Muller, chefe da repressão política do Estado Novo. Ao lado, Delfim Netto no traço implacável de Trimano. Delfim era o ministro da Fazenda do Regime Militar e praticava sua política de primeiro fazer o bolo crescer para depois distribuir
ESTRESSEO presidente Fernando Henrique Cardoso anda estressado e quem paga o pato somos nós.
Quando assumiu, dizia que é fácil governar o Brasil. E agora anda reclamando da vida. A pergunta lançada aos jornalistas no Canadá - Vocês acham que minha vida é fácil? - junto com seu sonoro não como resposta são sintomas fortes de que coisa boa é que não vem por aí.
Já percebe-se uma sombra no ar. Aquele desconsolo que acomete a todos que sentam na cadeira de Presidente da República. O Figueiredo, o Sarney e tantos outros, todos sempre reclamaram de nós, brasileiros, que não ajudamos a tocar o Brasil pra frente. Pra não falar no (toc,toc,toc) Jânio Quadros, que fez aquilo porque quilo. Mas o FHC não. Parecia bem disposto,até alegre de estar governando a gente.
Mas agora deu pra ficar emburrado, achando tudo muito tosco. E já está reclamando da gente, com argumentos inempregáveis, da nossa falta de jeito para essa coisa difícil que é criar um país. Até deve estar arrependido por ter se empenhado tanto pela reeleição.
Já estou vendo o FHC colocando o Itamar Franco como seu ministro da fazenda e depois fazendo dele seu sucessor. Ou então correndo o Brasil de cima a baixo, cercado de marqueteiros, pedindo pra gente votar em seus adversários, porque ele - oh, céus - não aguenta mais





