Bons tempos aqueles em que a gente tinha medo de saci-pererê, mula sem cabeça e bicho papão. Hoje em dia as crianças não dormem de noite com medo do ser humano.
O Brasil não tem terremoto ou vulcões. Deve ser por isso que o brasileiro faz questão de botar fogo no país.
A televisão brasileira anda com a qualidade tão baixa que o horário nobre deve ter atualmente cerca de 15 minutos.
Além de parir crises com uma desenvoltura de deixar um Sarney avexado, o governo do bipresidente Fernando Henrique Cardoso contribuiu para lançar na praça a idéia política de que o mundo se dividiria entre ‘‘desenvolvimentistas e monetaristas’’
Esse tipo de conversa se espalha pela mídia com uma velocidade bárbara e os dias vão se passando até todos descobrirem – depois de perder muito tempo – que passamos meses discutindo o vácuo, um nada político sem base nenhuma.
Mas se dedicar ao vazio parece estar se tornando uma mania do brasileiro. Só isso explica o país ter passado algumas semanas discutindo o casamento de Adriane Galisteu. As questões políticas do tucanato têm uma semelhança incrível com fatos como os tropeços conjugais da viúva de Senna; a diferença é que os acontecimentos tucanos duram um pouco menos.
A defecção do ministro Clóvis Carvalho e sua posterior definição como ‘‘desenvolvimentista’’ veio atrapalhar ainda mais o entendimento das diferenças entre as duas alas do governo. Carvalho esteve no poder durante cinco anos e se desenvolveu algo foram suas viagens com avião da FAB para Fernando de Noronha. Deve ser uma características dos ‘‘desenvolvimentistas’’ que desconhecíamos.
Mas lá vamos nós novamente contribuir para o desenvolvimento da consciência política do brasileiro fazendo o serviço que a comunicação do Governo Federal deixou de fazer. Depois de minuciosas observações dos hábitos e costumes de ‘‘desenvolvimentistas’’ e ‘‘monetaristas’’, elaboramos algumas definições que vão ajudar na identificação desses dois animais políticos que andam à solta por aí.
Jota







DESENVOLVIMENTISTA
O que mais gosta
Telefone
O que mais detesta
Telefone grampeado
Filme predileto
E o vento levou
Livro predileto
Todos os homens do presidente
Sonho de consumo
Um ministério, qualquer um
Tipo de mulher
Patrícia Pilar, sem o Ciro Gomes
Comida
Buchada de bode
Frase
‘‘Ô, coitado!’’

MONETARISTA
O que mais gosta
Telefone grampeado
O que mais detesta
Telefone
Filme predileto
O poderoso chefão
Livro predileto
De caixa
Sonho de consumo
Um presidente, qualquer um
Tipo de mulher
Margareth Tatcher, sem o Toni Blair
Comida
Do FMI
Frase
Bem curta



1 O poeta maranhense Ferreira Gullar ainda não morreu mas já vai virar rua. O fenômeno só podia ser maranhense e originário da família Sarney. A governadora Roseana Sarney é a mentora da homenagem que vai fazer de Ferreira Gullar uma avenida da capital do estado, São Luís.
O poeta aceitou e amanhã janta com a governadora para comemorar sua mutação em avenida. Passa também a atender no feminino, pois marmanjo quando vira nome de rua imediatamente passa a ser tratado nesta nova condição. Agora todos que forem se dirigir – de carro ou a pé – ao poeta falarão certamente de ‘‘a’’ Ferreira Gullar.
Um momento tão importante para a nossa cultura merece um poema. Daria um poema muito interessante e o nome podemos tirar da própria obra poética do, ou melhor, da Ferreira Gullar: ‘‘Poema Sujo’’.

2 Com os candidatos à presidência da República já na plataforma de lançamento, não posso perder a oportunidade de indicar para os companheiros petistas o nome da vice-governadora do Rio de janeiro, Benedita da Silva.
Benedita foi acusada de fraudar filiações ao PT do Rio e saiu-se com uma pérola que comprova definitivamente que o politicamente correto serve para tudo. A fraude foi comprovada pela direção nacional do PT, nas mãos da ‘‘Articulação’’, corrente a qual Benedita é ligada.
A justificativa de Benedita da Silva, que é negra, é de que os acusadores da fraude agiram movidos por racismo. É a candidata ideal à presidência da República pelo PT. Já vem com a justificativa para o caso de uma derrota.

3 Adriane Galisteu na capa de ‘‘Caras’’. Em reportagem especial da ‘‘Manchete’’. Na ‘‘Istoé Gente’’. Na ‘‘Contigo’’. Enfim, Adriane Galisteu na maioria das revistas que se exibem nas bancas. Logo mais – anotem – a descasada tira a roupa para a ‘‘Playboy’’. A mídia da fofoca descobriu a sua galinha dos ovos de ouro.

4 No Rio de Janeiro prossegue a corajosa batalha para que a cadeira do falecido Dias Gomes na Academia Brasileira de Letras não seja ocupada pelas nádegas direitistas do economista Roberto Campos. Ferreira Gullar – esta avenida das letras brasileiras – é um dos que são contra esse verdadeiro atentado ao assento de Dias Gomes.
Como estou sempre pronto a ajudar o próximo, independente de cores ideológicas, sugiro que os vigilantes da incolumidade do santo assento instalem a cadeira do imortal, embora falecido, Dias Gomes, na avenida Ferreira Gullar, a mais nova via urbana da progressista São Luís do Maranhão, dos Sarneys. Em um local bem alto, inacessível para nádegas mortais.

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