Jota
Debates pra lá de insólitos
Foi muito interessante o debate público entre Xuxa e o ministro da Saúde, José Serra. Apesar de curto, traz para a cena política uma inovação que pode render muito na politização do brasileiro, que já não suporta mais ouvir falar em política.
Serra perdeu o debate. Sua colocação foi das mais inoportunas. Acusou a apresentadora da Globo de má influência sobre as meninas brasileiras, que andam engravidando muito cedo. O ministro falava a favor da gravidez planejada e pegou o pior exemplo. Xuxa engravidou da maneira mais planejada que já se viu no Brasil nos últimos tempos: até planejamento de marketing sua gravidez teve.
O debate curto - encerrado pela Xuxa dizendo que quem dá mau exemplo é o governo - poderia até ter lançado mais um presidenciável, neste país em que bastam algumas frases soltas na imprensa para muita gente já se situar como possível aspirante à sentar na cadeira do presidente. Xuxa para presidente sim, por que não? A moça já tem jingle (o ilariê) e está bem próxima do cabo eleitoral mais eficiente do país, o companheiro jornalista Roberto Marinho. E com certeza pode contar com o apoio do Pelé.
Mas se perdemos uma presidenciável animada, pelo menos seu breve bate boca com o ministro Serra trouxe uma inovação, interessante para a política brasileira e na atração do brasileiro para os problemas nacionais. Política tem sido uma chateação ultimamente. Nem os destemperos do senador ACM ou notícias de deputado do PFL acusado de serrar pessoas vivas tem atraído a atenção da população para o debate político.
A discussão entre pessoas de diferentes áreas - como na feliz junção Serra e Xuxa - pode ser a solução para trazer mais vivacidade para os debates sobre as grandes questões de nosso tempo. Elaboramos uma lista de encontros que podem ser um bom começo nesta nova etapa da vida política brasileira.
Jota
Belo drible de Chico Buarque de Holanda nos políticos não comparecendo a entrega do título de Cidadão Honorário do Paraná. Grande Chico. Seria chato vê-lo agarrado - político não abraça, agarra - com certo tipo de gente. Mas o Chico não é bobo de oferecer seu pescoço para uma gravata de político para acabar saindo abraçado em fotos para uso eleitoral.
Chico Buarque (autor de Vai Trabalhar, Vagabundo) também sabe que não é necessário um papel timbrado da Assembléia Legislativa para lhe conferir o respeito e o carinho que nós, paranaenses, temos por ele e sua obra.
Além do mais, se o Chico precisar de uma cidadania paranaense pode ficar com a minha. É de berço, mas ainda está como nova. Afinal, cidadania é algo que usamos pouco aqui no Paraná.
ENCONTROS MARCADOS
ACM X Tiazinha Só falta combinar se os dois podem levar o chicote.
Pedro Parente X Luciano Huck Um papo superlegal, apesar do ex-ministro Mendonça de Barros achar um deles muito babaquinha.
Raimundo Padilha X Sula Miranda O ministro dos Transportes e a Rainha dos Caminhoneiros numa conversa que promete muito chão.
Michel Temer X Zé do Caixão Finalmente será posto em pratos limpos aquela história de mordomo de filme de terror.
Ruth Cardoso X Carla Perez O assunto, é óbvio, é a ajuda aos necessitados, tema sobre o qual Dona Perez tem um conhecimento abundante.
Rafael Greca X Faustão Um debate de peso que vai render bastante audiência. Não vale pegadinhas e nem hino da Arena.
Pedro Malan X Jô Soares Nesta discussão quem pode acabar ganhando somos nós. O Malan pode aprender com o Jô a também ganhar dinheiro ao invés de só gastar.
Pratini de Moraes X Hebe Camargo Um fantástico desfile de abobrinhas. O ministro da Agricultura pode explicar por que acha o período Médico uma gracinha.
Arminio Fraga X Edir Macedo Os dois são do bem e entendem de dinheiro. será bom para o espírito esse debate.
DIRETO DE BRASÍLIA
PREVISÃO DO TEMPO
Polêmica insólita no Rio de Janeiro, terra onde o insólito é mais frequente que sol e nádegas pra cima pegando bronzeado. A viúva do escritor Dias Gomes bate o pé por causa da intenção do economista Roberto Campos em disputar a cadeira do falecido na Academia Brasileira de Letras.
Roberto Campos (conhecido também como Bob Fields, apelido imortal que Stanislaw Ponte Preta lhe deu em razão de sua conhecida subserviência aos interesses norte-americanos) é aquele político que tem a solução para tudo: basta privatizar.
É o economista de uma nota só. Mas não guarda a coerência no cofre. O jornalista Joel Silveira fez as contas de quanto tempo Roberto Campos viveu sem depender de cargo público: deu menos de dois meses. Depois de perder a disputa pelo Senado, o economista anti-estatal está atualmente dependurado numa boca na prefeitura do Rio.
Desconfio que Roberto Campos quer a vaga de Dias Gomes pelo jeton, um pagamento que a Academia paga por reunião. Mas a polêmica chefiada pela viúva de Dias Gomes procura levantar a incoerência política de o conhecido político direitista ocupar a vaga do ex-marxista.
Os cartunistas Jaguar e Ziraldo entraram também na briga que até agora só tem revelado a decadência cultural brasileira. Eu preferia o Brasil de antes, quando não se discutia quem iria ou não sentar-se na cadeira de uma instituição decadente.





