RESPOSTA: Se você quebrou a cabeça tentando responder e encontrou respostas como a costeleta, o sotaque, o PHd, ou mesmo a cor dos olhos, perdeu seu tempo. Não há nenhuma diferença entre Carlos Menem e Fernando Henrique Cardoso. São similares na tática de se encontrarem para fotos quando estão com suas popularidades em baixa, na esperança de que seus respectivos conterrâneos - na comparação com quem está ao lado - se convençam de que o presidente deles não é lá assim tão ruim.


Nada como uma errata após a outra!

Uma seção que não perco nos jornais é a de ‘‘erratas’’, o local onde são publicados os erros cometidos em edições anteriores. É naquele espaço que verdades inamovíveis se movimentam sem estardalhaço - sim, porque a correção nunca é proporcional ao tamanho do erro. A errata é a alma da imprensa, onde a instituição se faz humana, falha; capaz de confessar aos leitores que ela - o quarto poder! - também erra. É sempre um mea-culpa tímido, jogado em um canto, mas não deixa de ser uma declaração de culpa.
E também não é mentira que mesmo o conceito de verdade pode mudar com o tempo. Não se esqueçam de que antes de 1945 para a maioria dos alemães - e também uma boa porção de brasileiros - a verdade era Hitler. E para a igreja católica a Terra era o centro do universo. Até queimaram gente que dizia o contrário e que era a verdade. A errata religiosa veio apenas séculos depois, nesta década em que estamos.
Por isso vamos fazer umas erratas necessárias, algumas sobre fatos que para alguns são comprovadamente verdadeiros.
Jota

Errata da Otan
Onde se lia ‘‘bum’’, leia-se ‘‘desculpas’’.
Errata do Clinton
Onde se lia ‘‘oralmente’’, leia-se ‘‘cala-te boca’’.
Errata do ACM
Onde se lia ‘‘aliado’’, leia-se ‘‘ali ao lado’’.
Errata do Mendonção
Onde se lia ‘‘telefone grampeado’’, leia-se ‘‘ministério desgrampeado’’.
Errata do FHC
Onde se lia ‘‘vote no Real’’, leia-se ‘‘caia na real’’.
Errata do Silvio Santos
Onde se lia ‘‘viva o gordo’’, leia-se ‘‘abaixo o colesterol’’.
Errata da Petrobrás
Onde se lia ‘‘o petróleo é nosso’’, leia-se ‘‘posso cuidar do seu carro mister?’’
Errata do Banco Central
Onde se lia ‘‘defesa da moeda’’, leia-se ‘‘defendendo o meu’’.
Errata das CPIs
Onde se lia ‘‘crime de colarinho branco’’, leia-se ‘‘tudo azul’’.
Errata das telefônicas
Onde se lia ‘‘telefone para todos’’, leia-se ‘‘espere na linha’’.
Errata das privatizações
Onde se lia ‘‘abertura de mercado’’, leia-se ‘‘rombo nos cofres públicos’’.
Errata da saúde
Onde se lia ‘‘cuidado, hospital’’, leia-se ‘‘socorro, hospital’’.
Errata do tucano
Onde se lia ‘‘vinte anos de poder’’, leia-se ‘‘ainda bem que só faltam três’’.
Errata da MPB
Onde se lia ‘‘um cantinho e um violão’’, leia-se ‘‘durma-se com um barulho desses’’.
Errata dos 500 anos
Onde se lia ‘‘descoberta do Brasil’’, leia-se ‘‘cadê o Brasil’’.
Errata da Globo
Onde se lia ‘‘padrão global’’, leia-se ‘‘minhas colegas de trabalho’’.
Errata do Maluf
Onde se lia ‘‘vote no Pitta’’, leia-se ‘‘não foi Maluf que fez’’.
Errata do Diário Oficial
Onde se lia ‘‘show milionário de Elba Ramalho’’, leia-se ‘‘vôo grátis para Fernando de Noronha’’.

O nível da música popular brasileira anda tão baixo que, quando você ler em uma dessas revistas coloridas de fofocas que determinada cantora está com problemas em seu instrumento de trabalho, não pense que ela foi procurar um fonoaudiólogo ou mesmo um otorrinolaringologista. O mais provável é que ela tenha ido à um proctologista.1 O mais desagradável nas gravações de conversas de altas autoridades públicas que surgiram nas páginas da imprensa - ou debaixo de viadutos, onde elas surgem para outros - não é apenas o produto das conversações: dinheiro público sendo gasto à toa, milhões surrupiados debaixo de nosso nariz, ou melhor, do grampo.
O chato é ter a comprovação de que o nível é mesmo muito baixo, de fofoquinha; e que as grande maquinações feitas por homens compenetrados e sérios é mesmo coisa de best-seller.
O grampo nas autoridades do governo serviu também para restabelecer a reputação de uma classe que vem há muito tempo sofrendo um desprestígio imenso, porque tem sido usada sempre como exemplo pejorativo de conversa leviana: a classe das lavadeiras.
Nunca alguém se preocupou em grampear conversa de lavadeiras. Mas fica comprovado que lá na beira do tanque o nível é bem superior às conversas de nossas autoridades ao telefone.
2 Só a máquina de marketing do cinema americano explica o sucesso de algo como ‘‘Star Wars’’, conhecido pelos nativos como ‘‘Guerra nas Estrelas’’. É uma máquina tão eficiente, capaz até de convencer a mídia de que aquilo que George Lucas faz é cinema e não videogame. O último filme da série já é primeirão em bilheteria.
À semelhança de seu parceiro Spielberg - com outro sucesso, ‘‘O Parque dos dinossauros’’, filme com problemas de continuidade, má direção de atores, mas aclamado pelo público e tratado com tolerância crítica pela mídia -, Lucas é mau diretor, roteirista ruim e ótimo homem de negócios.
Seus filmes deveriam sair na seção de economia dos jornais e não nos cadernos de cultura.
3 Nasce um otário por minuto, dizia o empresário circense norte-americano P. T. Barnum. Hollywood multiplicou isso por milhões.
4 Vamos chegar aos 500 anos com altos índices de analfabetismo; uma das piores distribuições de renda do planeta - talvez estejamos acima do Sudão; desemprego em massa; indústrias sucateadas ou compradas a preço de banana por estrangeiros; agricultura arrasada; populações indígenas dizimadas; os negros colocados à margem da sociedade, sem os seus direitos básicos respeitados; a ecologia destruída, matas derrubadas, rios encardidos de poluição, ar pesteado, terras devastadas; a saúde da população na sarjeta, cidades sem saneamento básico; crimes, violência no trânsito e apologia na nossa mídia da grosseria e do abuso.
Será que ao invés de comemoração não seria mais sensato um minuto de silêncio?



Última errata: onde se lia conversa de lavadeira, leia-se papo de autoridades da área econômica do governo.

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