Jota
Caindo no populismo
O problema do governo FHC é mesmo de comunicação. Nos últimos dias foi de comunicação demais: até as conversas reservadas - fulano é babaca, beltrano não sabe nada - foram passadas para nós. É como diz o bipresidente, não há dúvida. Outra comunicação a fazer é de que a popularidade dos tucanos está lá embaixo.
51% acham o governo FHC ruim ou péssimo segundo o instituto Vox Populi. Aliás, os tucanos tem revolucionado as pesquisas no Brasil. Em março o Vox Populi havia colocado um novo conceito, decepção, em suas pesquisas. E em outra pesquisa surgiu o conceito de quem os brasileiros se envergonham no exterior. Esta FHC também ganha de lavada.
Mas o homem de comunicação do governo, Andrea Matarazzo, tem planos para reconquistar a popularidade do homem que derrotou a inflação e iria derrotar o desemprego. Matarazzo - que nos corredores do poder é chamado pelas costas de conde - quer popularizar FHC. Para ajudar o mago do marketing tucano, que começou sua tarefa com um jantar do presidente da República com os apresentadores do SBT, apresentamos aqui algumas sugestões para tornar FHC novamente querido pela população.
E até quinta-feira, sempre de olho no Ibope.
Jota
TALK-SHOW Programa de entrevistas com FHC brilhando no papel de entrevistador. Com a ida de Jô Soares para a TV Globo, vagou um bom espaço no SBT. Tem tudo para dar certo: FHC poderá exibir sua incrível capacidade intelectual e, igual ao Jô, falar muito mais do que qualquer entrevistado. No horário, onze e meia, dá até para receber o Lula. Desta vez às vistas de todos.
PROGRAMA DO FHC Ao estilo do Programa do Ratinho, com barbaridades variadas, incluindo aí o próprio Ratinho que pode dar uma canja no programa do colega de trabalho. Bate-bocas ao vivo estão garantidos com José Serra e o ministro Ornelas. Mendonção e Pedro Malan podem ir às vias de fato, com xingamento e tudo. Ibope maior do que o da Globo garantido.
PLANALTO DOCUMENTO VERDADE Programa investigativo semanal ao estilo do similar global. Encenações, com atores, de dramáticos episódios - o drama dos votos da emenda da reeleição, por exemplo; ou investigativos, como a descoberta do paradeiro da pasta rosa. É um bom motivo para revanchismos, pois para ganhar audiência vale até denúncias contra a oposição.
Uma fita que chegou às nossas mãos por vias típicas de filmes de suspense - encontramos a danada numa noite escura debaixo de um viaduto, daqueles frequentados pelo general Cardoso, chefe da Casa Militar - revela um diálogo muito interessante que, para o bem da nossa democracia, julgamos por bem levar a público.
É um telefonema para o palácio do Planalto e as vozes, facilmente identificáveis, são do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e do bipresidente Fernando Henrique Cardoso.
ACM- Fernando...
FHC- Diga meu senador...
ACM- Estivemos reunidos, eu e meu partido, e decidimos: você é quem manda.
FHC- Mas...
ACM- Nem mas e nem meio mas: você é quem manda e fim de papo!
FHC- Não tenha dúvida!
1 Eis aí o nosso legislativo trabalhando. O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) deseja criar, através de projeto de lei, a profissão de escritor. O projeto está em tramitação na Câmara. O deputado pesquisou profundamente para finalmente dar validade à passagem de Machado de Assis por esta terra. Ouvi a Academia Maçônica de Letras e a Academia de Letras do Triângulo Mineiro, disse Pannunzio, que além dessas abalizadas fontes, apoiou-se também na opinião de seus amigos filiados à Academia Sãoroquense de Letras, de São Roque, interior de São Paulo, seu reduto eleitoral.
Depois vocês dizem que os homens não trabalham. Com a lei do deputado paulista será o fim do amadorismo em nossa literatura: teremos apenas escritores profissionais no Brasil.
2 Por falar em letras, a Academia Brasileira da dita cuja está batendo um recorde. Pela primeira vez nos 102 anos da Casa, 12 candidatos disputam uma vaga de acadêmico. E não é ainda a vaga de Dias Gomes. É a de Antonio Houaiss, que morreu de velho e não de táxi.
É uma lista longa de escritores amadores - enquanto a Câmara Federal não cria a profissão de escritor - que não cabe aqui e que comprova que o chá da academia ainda é o mais desejado da praça. E que ser imortal da academia ainda é uma das coisas mais arriscadas na vida. Com a energia poderosa de 14 literatos desejando uma vaga eu, se fosse imortal, não pegava táxi por nada deste mundo.
3 E como diz o político: está na hora de vestir uma capa de gente honesta, uma máscara de homem de bem. Ano que vem tem eleição.





