Jota
Pasquim, para quem não sabe, é um jornal ou folheto difamador, publicação que não se deve levar a sério; está aí o Aurélio que não me deixa mentir. A turma do semanário de humor O Pasquim é que foi esperta. Quando escolhiam um nome para o jornal que iriam editar colocaram logo O Pasquim. Já que os conservadores iriam mesmo tachá-lo de pasquim, resolveram facilitar para os inimigos.
É bom que se diga que, ao contrário do Pasquim do planalto, o Pasquim carioca tinha apenas um rato: o velho Sig
O Pasquim do planalto é o Diário Oficial da República que, na falta de O Pasquim do Rio de Janeiro, extinto na década de 80, vem divertindo o país com suas tiradas. Pagar R$ 800 mil por um show da Elba Ramalho é a piada do ano. E R$ 500 mil para Pelé dar uma palestra de futebol é o tipo de coisa que só o jornalista Juca Kfouri pode aplaudir. Kfouri é o fã número 1 no mundo do eterno camisa 10 da seleção. Se fosse goleiro estaria contando com orgulho as histórias dos gols que sofreu do rei.
O DO já é velho conhecido dos paranaenses. Foi este mesmo vibrante diário que no início do Governo Sarney publicou um decreto declarando o município inteiro de Londrina área de interesse de reforma agrária. Para sair dessa, tivemos que provar que somos terra produtiva. Daí vocês vêem que o talento humorístico da equipe que edita o Pasquim do planalto não é de hoje.
A pequena nota do show da Elba e da palestra do Pelé transformou o DO no jornal mais comentado do Brasil. Se driblarmos a insensibilidade da secretária de Administração, Cláudia Costin, que demitiu os autores da façanha, está aí mais uma chance de ouro do governo FHC faturar uns cobres tão necessários para consertar seus rombos de caixa.
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Como a Otan descobre se um alvo é civil ou militar?
RESPOSTA:PELOS JORNAIS DO DIA SEGUINTE
Com uma boa reformulada editorial, com destaque para temas quentes como shows da Elba e palestras do Pelé - pode ser também o contrário, tudo pelo sucesso! - o Diário Oficial pode ser vendido em bancas com sucesso e atrair bons anunciantes - empreiteiras, empresas de telefonia, corretoras...olha que oportunitty, ou melhor, oportunidade - e render muita grana para o tesouro.
Fernando Henrique Cardoso pode escrever os editoriais - mas essa de aventurismo o Aurélio não assina embaixo - e o ex-ministro das Telecomunicações, Mendonça de Barros, pode ter sua seção, a Coluna do Mendonção para descer porretadas em monetaristas, suecos e aventuristas. Vai sobrar para babacas e babaquinhas. E atrair muitos leitores.
Para esquentar a receita editorial do Pasquim do planalto podemos também contratar a turma do grampo das privatizações para produzir furos de reportagem e escândalos. Tudo fica em casa porque o próprio governo entra com os os escândalos. Vai ser o maior sucesso editorial da imprensa brasileira. Parem as máquinas!
E até quinta-feira próxima, preciso correr para reservar o meu exemplar!
Jota
A capacidade do ser humano em inventar armas cada vez mais sofisticadas acaba por criar erros cada vez mais elaborados e grandiosos. Então a lança, que exigia proximidade para se espetar o próximo, foi substituída pela arma de fogo que, de longe, acertava um inimigo por vez - portanto com a possibilidade de um único erro a cada tiro. A metralhadora, capaz de dezenas de erros por segundo foi o passo seguinte; e acabou sendo ultrapassada pelo canhão, pelo tanque e depois todos foram substituídos pelo míssil. Com este, um erro acaba com um prédio inteiro. Ou uma fábrica. Ou escola. E tem a bomba atômica - capaz do erro perfeito! Mas essa pelo menos nos dá um consolo: existem armas atômicas em quantidade suficiente para destruir a terra centenas de vezes, mas vai haver tempo apenas para um erro.
Os desenvolvimentistas estão certos: vamos investir na produção e fazer os nossos produtos de exportação. Já passou do tempo do Brasil fabricar o seu próprio uísque falsificado!
Nem meio cheio como afirma o otimista e nem meio vazio como diz o pessimista. Acabaram-se os copos!





