1 A gente percebe que está ficando velho mesmo quando vê que certas atrizes de televisão - Betty Faria e Sonia Braga, por exemplo -, que eram mocinhas no nosso tempo, estão hoje nas novelas fazendo papel de gente da nossa idade.
2 Com a frase ‘‘Eu não sou santo’’, dita pelo traficante norte-americano John Michael White, a CPI do Narcotráfico trouxe a público finalmente um depoimento honesto de alguém implicado em crimes. Os que comparecem em outras CPIs, ao contrário, querem nos fazer crer que são santos.
3 Se o ministro da Fazenda e o presidente da República nada sabiam das operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam que resultaram em prejuízo de R$ 1,567 bilhão ao Tesouro, seria interessante que uma das conclusões da CPI dos Bancos seja a contratação de um office-boy para correr para avisá-los sempre que alguém no Banco Central for dispor de quantias acima de 1 milhão de reais.
4 No Brasil, para ter seu valor reconhecido depois da morte é importante morrer em paz com a Rede Globo.

Mamãe, eu queroviajar de FAB!
Com seus vôos turísticos para Fernando de Noronha, o governo tucano já tem sua Ilha de Caras e isso não é apenas gozação, mas uma ótima idéia para um governo que precisa arrecadar fundos. Tanto que joga verde com a tal de ‘‘Reforma Tributária’’ mas o que quer mesmo é lascar impostos verdes, amarelos, azuis e brancos na cabeça do contribuinte.
Esse negócio de ministro passar as férias em Fernando de Noronha, viajando para lá com toda a família nas asas da gloriosa Força Aérea Brasileira, nos dá a certeza de que pelo menos algo no Brasil eles não privatizarão de jeito nenhum: a mordomia. Já é alguma coisa.
Por isso vamos usar para o bem esta fabulosa estatal do turismo franco e aberto. A ilha da revista Caras é o maior chamariz daquela publicação conhecida por revelar os bidês dos famosos de ocasião do Brasil. A Ilha de Caras do governo FHC - que eu sugiro chamar-se ‘‘Ilha Caras-de-Pau - pode ser mais eficiente que ‘‘Ministério da Produção’’ na arrecadação de uns cobres para os combalidos cofres públicos.
Com os vôos gratuitos da nossa FAB, então, o sucesso será total. Fará bem para nossa imagem no exterior - Julio Iglesias e Raul Jungmann, ministro da Política Fundiária, na piscina podem fazer mais por nossa imagem que milhares de hectares de reforma agrária - e também servirá para aquietar as bases políticas do governo. Nada como uma boa farra de Aécio Neves, Inocêncio Alves e umas duas ou três atrizes emergentes da Globo para deixar PFL e PSDB calmos como dois pombinhos na manhã após a lua-de-mel.
O turismo internacional também pode vir a se tornar uma grande fonte de divisas. A ‘‘Ilha Caras-de-Pau’’ do governo tucano pode ser palco de reuniões de estadistas do mundo inteiro. Conferências do Mercosul terminarão sempre em paz, com Carlos Menem dançando um tango com Pedro Malan embaixo de coqueiros que dão côco. Até Clinton pode vir relaxar feito uma tarde no salão oval, pois em Fernando de Noronha pode-se tudo.





AVISO AOS NAVEGANTES
Muito cuidado com esse negócio de ‘‘o pior já passou’’. Nunca se esqueçam que do pior também pode-se passar para o horrível.

Paz na terra aos homens de boa vontade. Ou pelo menos dêem um jeito na mira, Otan!

Deus ajuda quem cedo madruga. A menos que você esteja no turno da noite.




Promoções funcionarão como chamariz. O pacote ‘‘Clóvis Carvalho’’, em homenagem ao chefe do Gabinete Civil da presidência, oferecerá ao conviva o direito de três viagens pelo preço de uma. Uma revista - em várias línguas, FHC pode ajudar na tradução - também pode ser editada com as fotos da pândega nacional na ilha mais liberada do Brasil.
O nome ‘‘Bundas’’ já é do Ziraldo. Teremos que pensar em outro para a revista, mas já me excito em imaginar as belas legendas inspiradas pelas fotos produzidas na ‘‘Ilha Caras-de-Pau’’. Se eu não fosse um fracassomaníaco que tem de pagar suas viagens do próprio bolso, até poderia colaborar: ‘‘No flagrante o procurador-geral da República Geraldo Brindeiro encontra paz e sossego na sauna da ‘‘Ilha Caras-de-Pau’’; ao lado, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, educadamente, elogia seu bronzeado’’.
Como slogan publicitário eu optaria por uma coisa bem simples, popular mesmo, para a oposição não taxar de elitista essa ilha de paz e tranquilidade. ‘‘Eles sofrem, mas nóis goza’’, acho que cairia bem. Vai ser um arraso!
E até quinta-feira senão perco o voô da FAB.
Jota


JOGO DOS ERROS
Fixe seus olhos na imagem e responda rapidamente o que há de errado nela. Depois confira a resposta abaixo.




SAUL STEINBERG
Ou simplesmente Steinberg, como asssinava seus desenhos. Nasceu em 1914 na Romênia, morreu no dia 12 deste mês nos EUA. Na Segunda Guerra Mundial, muitos de seus desenhos contra Hitler e Mussolini foram usados pela imprensa clandestina de resistência nos países ocupados pelos alemães.
Migrou para os Estados Unidos e lá construiu uma carreira artística que colocou o desenho de humor em um patamar elevado, ao nível das melhores obras da arte moderna. Tinha um desenho sutil, um humor que trabalhava mais com o conteúdo gráfico.
Foi um dos modernizadores do cartum, junto com André François, Chaval, Paul Flora, Ronald Searle e outros não menos cotados, mas que não cabem aqui. No Brasil sua influência é sentida nos cartunistas - Fortuna, Ziraldo, Claudius, Jaguar, Millôr - que revolucionaram nosso desenho de humor na década de 50, criaram o semanário ‘‘O Pasquim’’ na década de 60 e que abriram caminho para os desenhistas da minha geração.
Mestre do traço. Fica na estante, na parede e no coração.


O compositor Gilberto Gil vive alardeando que a Bahia lhe deu régua e compasso. Para nós cartunistas, Steinberg deu todos os instrumentos de desenho.

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