Jota
Salta uma CPI no capricho!
As CPIs continuam fazendo história. Na CPI dos Bancos o relator, senador João Alberto (PMDB-MA), quebrou o recorde mundial gastando quase uma hora para fazer três perguntas. Levou também quarenta páginas de perguntas divididas em vários tópicos.
O depoimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, durou mais de sete horas. Depois a justiça inocenta à todos, certamente acreditando que já pagaram por seus crimes suportando esse tipo de coisa na CPI.
O senador João Alberto fazia três perguntas e então dava a palavra para o interrogado. Um colega resolveu ajudá-lo:
á- Acho que o senhor deveria seguir outro método. Faz uma pergunta, ouve a resposta e depois faz outra - recomendou o senador Roberto Freire (PPS-PE).
- Senhores! Eu é que sou o humorista - eu interpelaria à todos, se estivesse em Brasília e não trabalhando naquela tarde.
Na CPI do ACM - também conhecida como CPI do Judiciário - o negócio é caçar depoente para incriminar Almir Pazzianoto, vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Pazzianoto envolveu-se em um bate-boca com o senador Antônio Carlos Magalhães, conseguindo a façanha de ser tão grosso quanto o presidente do Senado. Que tal uma CPI do bate-boca?
Haja CPI. Ela remonta à década de 50. De 1946 até 1964, foram 169 Comissões Parlamentares de Inquérito no Brasil, numa média de quase dez investigações por ano. Naquele tempo terminavam em pizza de forno à lenha, inexistindo os atuais e sofisticados engenhos políticos especializados na arte da feitura de uma boa pizza.
CPI levar alguém à cadeia é algo tão inusitado que o senador Bello Parga (PFL-MA), após dar voz de prisão a Francisco Lopes, afastou-se da presidência da comissão por motivo de saúde. Foi para o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde lhe deve ter sido receitado uma leve dieta à base de pizza.
O apetite dos políticos é imenso. De 1990 até o ano passado, somente no Senado Federal, foram 22 Comissões Parlamentares de Inquérito. E como só aumentam a corrupção e os abusos, continuo acreditando que a solução é uma só: a CPI das CPIs.
E ponto final por hoje. Quinta-feira tem mais.
Jota
ENQUANTO ISSO, NA CAPITANIA DA BAHIA...
- O senhor é parente do senador Antônio Carlos Magalhães? Vou lhe contratar, mas só porque o senhor tem qualidades para o cargo!
- Obrigado, mas qual é mesmo o cargo?
O sol nasce para todos.
Mas quadrado só para pobres.
- Ay, caramba! No suporto mais chá todos los dias. És um desrespeito com los mios derechos humanos!
QUATRO
PINOCHETAÇOS
E UM CACÁ
1 A desventura do ex-ditador Augusto Pinochet - que amarga um turismo forçado na Inglaterra - revela certas verdades no ditado aqui se faz, aqui se paga. O tirano passa o tempo tomando chá com a ex-ministra Margareth Tatcher. Mesmo para um Pinochet é castigo demais, caramba!
2 Comovente a preocupação do ex-presidente norte-americano George Bush, do Papa João Paulo II e da dama-de-ferro Tatcher com o sanguinário chileno. Caso Pinochet consiga livrar-se de seu turismo forçado - o juiz espanhol Garzón tem planos para uma esticada na Espanha -, o negócio é partir para a solução dada à parentes indesejados: Pinochet pode passar seus últimos dias em um rodízio permanente entre as casas de Bush, Tatcher e do Papa. Porque a América Latina não o aguenta mais.
3 No Chile surgiu a primeira biografia não-autorizada do ditador. O escritor chileno Pablo Azócar vasculhou a vida de Pinochet e no meio do mar de sangue descobriu facetas inéditas do general. A de um homem influenciado por várias mulheres nas suas decisões políticas - daí este flerte com Margareth Tatcher? - e com forte ligação com o esoterismo. O título da biografia é Pinochet: epitáfio para um tirano.
4 Nos tempos da ditadura chilena não havia este esoterismo em Pinochet. Para a sorte dos chilenos. Já pensaram em celas organizadas conforme as regras orientais do feng-shui? Ou leitura obrigatória do tarô para prisioneiros políticos? Cárceres identificados conforme as regras da numerologia? Ou ainda carrascos fazendo mapa astral e tropas de choque no tai-chi-chuan antes de partir para o pau em cima de democratas? Ia ser uma tortura! -
1 O cineasta Cacá Diegues, lançando filme novo, tenta puxar a luz dos holofotes para sua cara-de-pau. Critica com ferocidade a crítica cinematográfica e denuncia um complô de direita. É o mesmo Cacá que em 1978 - época de ditadura militar - apontava o dedo contra a oposição ao regime militar, falando de uma tal de patrulha ideológica. Entenderam a jogada? Naqueles tempos a direita lhe deu guarida nas páginas diárias. Agora, sem a ditadura militar, ele denuncia a direita. Deve ser o esse o tal de cinema verdade!





