Jota
Monica Lewinsky, a estagiária mais famosa da América, revela-se uma mina de ouro. O escândalo que se seguiu aos pequenos favores que ela fez para o presidente Bill Clinton deram uma forcinha a mais na já escandalosamente robusta economia americana.
Americano é mesmo danado para extrair dinheiro de tudo. A entrevista de Monica Lewinsky para a jornalista Barbara Walters na rede ABC fez 42 milhões de norte-americanos grudarem os olhos na telinha, afoitos pelas primeiras revelações sobre os acontecimentos na sala oval da Casa Branca vindas da boca da participante ativa no caso.
Monica Lewinsky não levou nem um trocado no programa de Barbara Walters, mas a ABC aproveitou bem. Os espaços de publicidade do programa foram vendidos a 800 mil dólares por trinta segundos, cinco vezes o preço habitual. Monica estava ali para vender seu peixe, o livro de memórias Monicas Story, que já está entre os mais vendidos. Cada exemplar custa 30 dólares e a primeira edição foi de 450 mil exemplares. Já é um dos mais solicitados na Amazon, livraria da Internet. Dezenas de milhares de pessoas solicitaram seu exemplar.
Publicações jornalísticas, principalmente da chamada imprensa amarela, mas também as de colorações supostamente sérias, ávidas por escândalo, compraram direitos para reproduzir Monicas Story, biografia precoce de uma moça que só se diferencia de outras milhões de anônimas moças americanas pelos poucos momentos íntimos desfrutados com um presidente. O Daily Mirror britânico, o italiano Corriere della Sera e o semanário francês Paris Match pagaram cerca de 200 mil dólares por cabeça para reproduzir as doces palavras de Monica. E tem também as fotografias a peso de ouro para capas de revistas - a francesa Marie Claire e a espanhola Hola já fizeram tilintar o caixa de Lewinski.
Eu disse que a moça era uma mina de ouro. A cadeia de televisão britânica Channel Four Snow pagou mais de 600 mil dólares para entrevistá-la. E já vendeu a entrevista para umas 25 televisões a precos que vão de 100 mil a 500 mil dólares. Miss Lewinski receberá 70% dessa comercialização.
Uma breve agachadinha na sala oval da casa Branca logo estará rendendo mais que a famosa cruzada de pernas de Sharon Stone naquele famoso filme do qual só lembramos da cruzada de pernas da atriz. Aliás, ninguém duvida que a história de Monica Lewwisnky acabará no cinema, com direito a passeios de câmera por debaixo de mesas no salão oval e closes em vestidos com manchas lúbricas. E renderá mais algumas verdinhas para a pobre ex-estagiária seduzida e abandonada.
Imaginem como esta dinheirama viria bem para a nossa economia em frangalhos. Em se tratando de escândalos, deveria valer a máxima de que o que é bom para os EUA é bom para o Brasil. Tão necessitado de verbas, o governo deixaria de abafar casos que, bem administrados, poderiam render milhões - fora o que já renderam para os larápios, é óbvio. Poderia ser atribuição - sugestão minha - de um Ministério da Produção de Lucros Extraordinários com Escândalos. O Brasil, tão acostumado a imitar os americanos, pode extrair ricas lições desse caso e acabar com a triste sina brasileira de produzir escândalos que só dão prejuízos.





