Dos americanos podemos esperar tudo, até mesmo uma bomba sobre nossas cabeças. Paraíso da cultura do supérfluo, a terra de Monica Lewinsky é pródiga em inventar moda. Agora, espertalhões criaram na Califórnia um parque de diversões, o ‘‘Tinseltown Studios’’, para alisar o ego de anônimos que cultuam a celebridade. O lugar funciona na base da fama instantânea. Pagando 45 dólares, qualquer um é tratado como uma pessoa famosa, com direito à tapete vermelho na entrada, entrevistas para a televisão, fãs excitados urrando seu nome, essas coisas que os famosos dizem que odeiam mas das quais não abrem mão.
O pagante dará até autógrafos, numa encenação que não deixa nada à desejar para as feitas por nossas televisões e revistas com seus astros e estrelas instântaneos. Durante um jantar de gala, ainda com farto assédio de ‘‘fãs’’, o famoso de ‘‘ Tinseltown’’ assistirá suas entrevistas em um telão. Se tiver sorte, será escolhido para contracenar com atores como Anthony Perkins, Henry Fonda e Kathy Bates. O efeito é conseguido por meio de trucagens com filmes estrelados pelos três atores. No final há até a entrega de um ‘‘Oscar’’, o Oggie, para os que se destacarem na encenação. Enfim, é a glória por menos de 50 dólares.

A idéia do Tinseltown Studios é a solução para a crise que maltrata os governantes atropelados pela tal da globalização. Nós brasileiros, que tínhamos o presidente mais bem-humorado do mundo, sabemos muito bem o que é conviver com um dirigente em crise. É uma situação delicada que acaba por atacar os nervos de um país inteiro. Estressado, o presidente pode até deixar de conversar com os governadores de estados.
A criação de um parque nos moldes do ‘‘Tinseltonw’’, com encenação dirigida para o ego ferido de ex-paladinos de moedas fortes, seria tão providencial quanto um bom papagaio do FMI. Uma temporada no lugar deixaria tinindo o estadista em crise, devolvendo-o para o seu povo com o melhor dos humores. O parque pode ser administrado pelo próprio FMI - sem o linha-dura do Fischer com sua cara de poucos amigos. Seria um FMI com cartas-compromissos em papel rosa e um delicioso aroma de perfume francês. Ou o cheiro das verdinhas, o estadista em crise escolhe.
Na entrada o visitante seria recebido por uma imprensa cordata e favorável - mais do que a nossa, gente! Perguntas amáveis e buquês de flores. Para o FHC seria como ser entrevistado pelo porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral. Ou pelo companheiro jornalista Roberto Marinho.
Empréstimos do FMI viriam sem a necessidade de alta de juros ou perseguição de aposentados. Os encontros com a oposição - sim, lá também haveria sapos barbudos, mas sem a necessidade de engoli-los - se dariam à luz do dia e em praça pública, com direito à shows e apupos da massa.
O presidente do Banco Central seria um velhinho prestes a se aposentar, de tantos anos no cargo; como ministro da Fazenda, o avô dele. E a base do governo funcionaria na base do toma-lá-dá-cá, mas de apertos de mãos e sorrisos, todos prontos à colaborar com o país e o povo. Povo que não teria cheiro de povo e nem ficaria pedindo emprego, saúde, escola, habitação, essas coisas que chateiam estadistas e os deixam em crise.
Mas o ‘‘Tinseltowon’’ de estadista em crise não seria apenas para os políticos das nações mais pobres. Haveria também entretenimentos para os estadistas de países ricos, que também têm suas crises. Lá, existiria inclusive uma sala oval para presidentes fazerem o que quisessem com estagiárias. E ainda com uma claque de Republicanos aplaudindo a perfomance.

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