Jota
Já escrevi aqui neste espaço sobre a pobreza que é a política brasileira na área de idéias, gerando poucas frases que mereçam atenção. As edições de fim de ano dos jornais e revistas - que abrigam um pessoal louco para selecionar umas delas para fechar rápido suas publicações - é uma boa comprovação da miséria intelectual na área.
O apanhado de frases dos políticos brasileiros morre mesmo nestas publicações. Servem para embrulhar uns peixes, umas ramas de mandiocas; ficarão para a história apenas pelo seu aspecto jocoso, uma garantia de que rirão muito da gente no futuro. Louve-se neste caso o bipresidente FHC como um colaborador eficiente para as memórias futuras desses tempos risíveis. O homem é um frasista compulsivo e já cometeu inúmeras pérolas - esqueçam o que eu escrevi é uma delas - que infelizmente para ele não serão esquecidas.
E o chato é que a oposição não fica muito à frente neste caso.A nova política governamental de defenestração instantânea de presidentes do Banco Central veio para mostrar que não é só a nossa moeda que, apesar da pose, está em um miserê de deixar ex-empregado do megaespeculador George Soros babando de satisfação e desejo. A extraordinária política do já que não podemos derrotar o inimigo vamos dar-lhe um emprego colocada em prática pelo governo na escolha do novo presidente do Banco Central era uma ótima chance para a oposição atiçar sua verve e mostrar para a platéia o calor de sua imaginação.
Mas o que vimos foi aquele lugar-comum de colocar a raposa para cuidar das galinhas, repetida em entrevistas variadas - o sindicalista Vicentinho e o Lula devem ter combinado por telefone, excitados com este achado. O equívoco político e psicológico do governo, colocando um especulador na presidência do Banco Central, merecia render tiradas mais inteligentes para convencer o eleitorado de que com a oposição no poder, pelo menos em matéria de frases o Brasil pode andar melhor.
Quem destoou do lugar-comum foi Itamar Franco que saiu com a única declaração digna de nota: O Brasil tem um novo ministro da Fazenda, que é o mr. Fischer, e um novo presidente do Banco Central, que é o dr. Soros. Além de derrubar as bolsas de valores pelo mundo todo - o que não me inquietava -, o governador mineiro está fazendo humor e, agora sim, me deixando preocupado. Se a moda pega, vou ter que pedir moratória.





