A situação está tão estressante que nem a Rede Globo anda mais surtindo efeito para acalmar o brasileiro. Renomados economistas, que diziam para nós que o Brasil não era uma Rússia, agora garantem que a situação está russa e o Plano Real mortinho da silva. E até o bipresidente FHC jogou uma pá de terra no finado dizendo que a crise cambial pode vir a ser ‘‘o ressurgimento do real’’. Ora, como só existe possibilidade de ‘‘ressurgimento’’ de algo que desapareceu, só nos resta rezar ou apelar para os ‘‘fracassomaníacos’’, que andaram avisando já há bastante tempo sobre o real estado de saúde da moeda.
Enquanto assistimos a uma reportagem no Jornal Nacional, da TV Globo, revelando detalhes sobre a neve - em pleno inverno! - nos Estados Unidos, medito sobre os problemas que a crise cambial trará para o Brasil e me salta aos olhos - agora lacrimejantes, pois o casal global passa a narrar com emoção a notícia sobre um marreco australiano salvo das águas com heroísmo - um elemento novo na crise, algo que passa desapercebido em meio à crise cambial. É uma das mais graves consequências do abate do real.
Fernando Henrique Cardoso ficará sem assunto. E para uma situação como essa, não há PFL que dê jeito. É preocupante, já que ele ocupou seus primeiros quatro anos de mandato e foi reeleito para mais quatro com o tema da ‘‘defesa do real’’. Não se passou nem um mês do segundo mandato e não reconhecemos no bipresidente nem um traço daquele FHC bem-humorado - às vezes, ou melhor, quase sempre irônico - que era um orgulho pátrio; nossa situação sempre estava sempre muito mal, mas tínhamos o presidente mais bem-humorado das Américas. A situação exige que passemos por cima das divergências e nos unamos para resolver esta delicada questão: FHC precisa de um assunto para os próximo quatro anos de crise. Não ficaremos aqui dizendo -, como ‘‘cassandras opiniáticas’’, que bem que avisamos. Vamos ajudar FHC. Afinal, pode faltar tudo neste país, menos um assunto bom para o nosso presidente.
Jota

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