Jota
A novidade do segundo mandato de FHC é que desta vez estamos protegidos. Todo mundo de kit de primeiros socorros na mão, senão o guarda pega. Dois rolos de atadura crepe, um rolo de esparadrapo, dois pacotes de gaze, uma bandagem de tecido de algodão, dois pares de luvas de borracha e uma tesoura arredondada. Insuficiente para enfrentar 1999, o instrumental médico vai ajudar pouco na travessia dos quatro anos do bipresidente FHC. Haja esparadrapon e atadura, minha gente.
Mas, de qualquer modo, é comovente a preocupação com a nossa segurança. Acho até que é por isso que as coisas não andam no Brasil. Políticos e governantes perdem muito tempo ocupados com o bem-estar do povo e acabam descuidando dos negócios de Estado. Vendem estatais para que o povo tenha mais emprego. Cortam penosos anos na aposentadoria dos trabalhadores apenas para a melhoria da securidade social para o povo. E vamos parar por aqui, pois é tanta coisa feita para nós, o povo, que não sobraria espaço para listar tantos benefícios.
Mas sempre tem um selinho para comprar. Um kit obrigatório para adquirirmos com o nosso real estabilizado e suado. Uma CPMF (também obrigatória, obrigado) para levar no cheque. Um imposto a mais para carregar no carrinho do supermercado. Enfim, tem kit obrigatório para todas as ocasiões.
A desmoralização do kit de primeiros socorros é uma das poucas unanimidades da era FHC. Além de transportar o seu kit obrigatório, o motorista deve rezar para que, em caso de acidente, entre os curiosos que sempre surgem para observar a desgraça alheia esteja um médico, pois é preciso certa experiência para utilizar os apetrechos sem piorar a situação da vítima.
Mas o kit fundamental para a segurança do brasileiro ainda está para ser feito. É o Kit FHC, um conjunto mais completo de instrumentos para a segurança que, além do conteúdo do kit de primeiros socorros - uma tesoura arredondada sempre pode ser útil -, tenha elementos que facilitem a longa travessia dos quatro anos que nos separam da próxima eleição para presidente.
É urgente a necessidade deste kit. O Congresso Nacional que arranje quorum. O ministério da Economia que arrume tempo. O ministério que era para ser da produção que produza. Senão vamos ter que fazer igual ao governador Itamar Franco que, por falta do providencial Kit FHC, pediu moratória.





