Essas coisas que se passam na sala oval da Casa Branca preocupam todo o mundo ocidental. Um amasso mal concluído, um afago meio às avessas, uma ‘‘relação imprópria’’ sem graça, tudo isso pode acabar caindo sobre nossas cabeças. Monica Lewinsky, por exemplo, continua causando um estrago danado. Agora no Iraque.
Todo o mundo - e principalmente os países mais pobres - deve ter o direito de opinião sobre os casos do presidente norte-americano Bill Clinton. Beija, não beija, se pode passar a mão, acariciar os cabelos, tudo isso tem que ser decidido na ONU, com os países pobres - principalmente aqueles que não tem a bomba atômica - tendo o poder de veto. Afinal, uma ‘‘relação imprópria’’ mais complicada pode significar algumas bombas caindo sobre as cabeças terceiro-mundistas.
Se isso tivesse acontecido no caso Lewinsky, por exemplo, pelo menos as cabeças do Sudão teriam sido poupadas da tecnologia militar americana. Uma plenária da ONU poderia resolver tudo com a maior simplicidade. Alguns inspetores - podem ser os mesmos que futucam o Iraque - poderiam ter sido deslocados para a Sala Oval para estudar o ambiente, traçar estratégias e elaborar uma logística para o ataque presidencial à estagiária.
O uso de camisinha, por exemplo. O presidente poderia alegar na plenária da ONU que não pretendia ir até o fim nas relações, mas o relatório dos inspetores - centenas de páginas, sem contar os vídeos e programas de computador - alertaria com precisão para os perigos de resíduos em vestidos, blusas, bolsas de pelúcia, sapatos, perucas, estampas do Mickey, enfim, muitos locais de riscos, onde uma pequena gota pode causar problemas globais.
E mesmo para os descuidos presidenciais haveria meios de remediar. Uma equipe da ONU se deslocaria com presteza até o apartamento da moça para levar seu vestido até uma lavanderia. E mais, equipes de diplomatas dariam uma força moral para Mônica Lewinsky durante sua fase de depressão depois de ser dispensada pelo presidente norte-americano.
Telefonemas, passeios à Disneylândia, tardes inteiras em rodízios de sorvetes. A área de diplomacia da ONU tudo faria - até passeios de mãos dadas no Central Park - para o caso não acabar nas mãos de um promotor puritano e republicano.
Para o caso Lewinsky não há mais jeito, mas se os países se juntarem para criar, na ONU, um organismo especial para cuidar da vida amorosa do presidente norte-americano, muitas perdas de vida podem ser evitadas. E garanto que neste caso até o Saddam Hussein vai fazer questão de cooperar.
Jota







VIVA A AMÉRICA!

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